Notícias sobre a Cyberguerra atual (I)

08/01/2013 09:30

Walter Lippold

Não sabia bem por onde começar este texto e nesta busca brotou instantaneamente na minha cabeça o filme “O Passageiro do Futuro”, talvez esquecido nos anos 90, mas que teve um grande impacto na minha juventude. Realidades virtuais, cybersoldados, hackers em guerra sempre foram a tônica da literatura cyberpunk inaugurada por William Gibson nos anos 80 do século XX. O romance Neuromancer, que por sinal “influenciou” (para não dizer que foi plagiado pelos roteiristas) Matrix, sintetizou a decadência ocidental junto com um avanço tecnológico onde a própria carne se tornou conectada com os circuitos. É um futuro distópico onde megacorporações dominam pervasivamente a sociedade. Esta cultura underground influenciou toda uma geração.  Mas até então as pessoas não tinham ideia que um futuro ainda mais surpreendente estaria por vir no Século XXI: um mundo que se prepara e investe bilhões de dólares no que se convencionou chamar de cyberguerra, ciberguerra ou guerra cibernética.

Projeção Gráfica do Mapa da Internet

O Ministério da Defesa brasileiro aprovou a criação de uma divisão de guerra cibernética a princípio para proteger sistemas vitais do País como as usinas de eletricidade. “O Sistema Militar de Defesa Cibernética está previsto na Política Cibernética de Defesa, publicada no “Diário Oficial da União” de 27/12/2012.”[1]  A criação do órgão visa preparar o Brasil para a Copa e as Olimpíadas. Além de defesa externa seu objetivo é combater o cybercrime em território nacional, já que o Brasil é o 4º País com mais crimes cibernéticos do mundo. Mas o que mais aparece como demanda para efetivar uma Política Cibernética de Defesa é o cenário mundial neste alvorecer do século XXI: os governos estão capacitando seus quadros para tomarem posição em uma guerra que está ocorrendo neste momento.

A criação do nosso Sistema Militar de Defesa Cibernética foi noticiado também pelo site Cubadebate[2] e por poucos outros no Brasil. Segundo a matéria do site cubano o sistema será composto por civis também. Não é a toa que dizem que qualquer cubano na rua de La Habana sabe mais de geopolítica e notícias do Brasil e do mundo do que muito brasileiro. O Brasil estava atrás nesta verdadeira corrida armamentista cibernética, a OTAN vem empreendendo exercícios de guerra cibernética contra um eventual ataque russo, chinês ou iraniano[3] segundo a página da Rádio Voz da Rússia. Israel vem treinando jovens de 16 a 18 anos e já declarou que está produzindo uma “cortina de ferro digital” no País[4] .

Hoje já temos exemplos de ataques cibernéticos governamentais e os que mais se destacam atualmente são os vírus Flame, StuxNet, Duqu e Gauss que vem sabotando o programa nuclear iraniano, infectando usinas e centrífugas[5]. Estes vírus não são brincadeira de nerds adolescentes e viruz lovaz amadores: para se ter uma ideia algumas dessas cyberarmas demoraram 4 anos para serem programadas, demandaram com certeza apoio governamental. Acusações de que os Estados Unidos e Israel tenham desenvolvido o potente vírus chovem na internet; os próprios New York Times e Washington Post afirmaram ser dos Estados Unidos a autoria do ataque[6]. Estes ataques são os primeiros na história mundial vindo de um país, ou grupo de países, contra outro governo. Enquanto alguns comemoravam o natal, hackers atacavam instalações industriais iranianas – noticiou o site da Rádio Voz da Rússia - em uma verdadeira guerra cibernética não-declarada contra Teerã[7]. Serão hackers militares ou mercenários de guerra cibernética contratados, seguindo a tendência de “terceirização” das guerras?

Segundo a empresa Kaspersky Lab de Antivírus “a cyberespionagem com fins lucrativos ou governamentais, o hacktivismo e os ataques a computação em nuvens, ao Mac e a softwares móveis marcarão 2013.”[8]  Sentindo que sem uma divisão de cyberguerra o Brasil não estaria preparado para o cenário de 2013, o governo e os militares, antes de criar a nova Política Cibernética de Defesa, já esboçavam ações que sinalizavam este caminho:

O Exército Brasileiro recebeu no dia 22 de novembro através do Centro de Instrução de Guerra Eletrônica (CIGE) o Simulador de Operações de Guerra Cibernética (SIMOC) desenvolvido com recursos orçamentários do Ministério da Defesa pela empresa Decatron, uma empresa 100% brasileira sediada no Rio de Janeiro. O software disponibiliza suporte para especialização de recursos humanos em análises de vulnerabilidades de redes, permitindo a execução de ações, em ambiente controlado, de proteção cibernética e defesa ativa, além do treinamento baseado em cenários reais de catástrofes e comprometimentos de infraestruturas críticas nacionais.[9]

Estamos adentrando o século XXI e ainda não tivemos a real dimensão do impacto das tecnologias advindas da III fase da Revolução Industrial, a chamada Revolução Científico Técnica, que se iniciou na década de 1970 e ainda continua se desdobrando em todos os campos da vida humana. Talvez estejamos entrando numa IV fase... o impacto da nanotecnologia ainda está por vir e os cenários que se desenham sobre os conflitos num futuro próximo parecem que ultrapassaram os vislumbres da ficção científica.

Notas

[3] Saiba mais em http://portuguese.ruvr.ru/2012_11_12/ciberguerra-russia-otan/  e http://portuguese.ruvr.ru/2012_10_19/otan-guerra-cibernetica-russia/ .

[4]Sobre a cortina de ferro digital e treinamento de jovens israelenses acesse este link http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/258503_israel_anuncia_construcao_de_ .

[5] Saiba mais sobre o:

5.1)Vírus Flame: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2012/05/por-quase-dois-anos-virus-flame-roubou-dados-sem-ser-percebido.html

5.2) Vírus Stuxnet: http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/virus-stuxnet-foi-desenvolvido-por-eua-e-israel-diz-jornal,0c4bfe32cdbda310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

5.3) Vírus Duqu: http://idgnow.uol.com.br/seguranca/2011/11/14/virus-duqu-foi-desenvolvido-durante-4-anos-afirma-kaspersky/

5.4) Vírus Gauss: http://tecnologia.terra.com.br/internet/gauss-novo-virus-semelhante-ao-flame-e-stuxnet-e-descoberto,991a942c647da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

[6] “Os Estados Unidos e Israel foram os responsáveis pelo Stuxnet, um vírus de computador criado para causar danos físicos nas instalações nucleares iranianas. A afirmação está em uma reportagem do The New York Timesdesta sexta-feira. Segundo o jornal, o vírus foi distribuído por um pen drive. O presidente americano, Barack Obama, aumentou os ciberataques contra o programa nuclear iraniano, inclusive depois que o vírus Stuxnet foi difundido acidentalmente em 2010. A operação começou no governo do presidente George W. Bush com o nome de "Olympic Games" (Jogos Olímpicos) e é o primeiro ciberataque de que se tem conhecimento lançado contra outro país pelos Estados Unidos usando códigos falsos desenvolvidos por Israel, diz o NYT.” Saiba mais em  http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/virus-stuxnet-foi-desenvolvido-por-eua-e-israel-diz-jornal,0c4bfe32cdbda310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

[7] Saiba mais em http://portuguese.ruvr.ru/2012_12_25/hackers-atacaram-instalacoes-industiais-iranianas/

[8]Saiba mais em  http://www.channelbiz.es/2012/12/12/kaspersky-tendencias-seguridad-2013/ e http://www.nanduti.com.py/v1/noticias-mas.php?id=63302&cat=Tecnologia

[9]Retirado de  http://www.tecnodefesa.com.br/materia.php?materia=653 e http://www.infodefensa.com/?noticia=el-ejercito-de-brasil-recibe-el-sistema-de-simulacion-simoc-desarrollado-por-decatron

 

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