Um “Velho” Aprendiz

02/05/2012 12:44

Rodrigo Santiago da Silva Garcia

Formatura! Algo que todos acadêmicos pensam cada ano que passam na faculdade. E cada dia vão tomando ares de mais sabidos, menos alienados, mais racionais, quase prontos para enfrentar as adversidades de sua futura profissão.

No caso do acadêmico de licenciatura em História, seu futuro se destina a sala de aula (sei que nem todos irão exercer, ou exercem a profissão). Um futuro quase certo para aqueles que sonham em ser professor. Meu caso não é diferente, entrei na faculdade, e mesmo não querendo tive todas as características daquele acadêmico que falei: sonhei com a formatura, fui tomando ares de mais sabido, e mesmo não querendo, me pegava afirmando verdades sob uma ótica teórica, cercado de referências teóricas.

Alcancei o almejado: Formei-me, fiz pós graduação e agora enfrento uma realidade profissional: a de ser professor. Confesso! A primeira vez que entrei na sala dos professores senti uma sensação incrível e pensei: - o mundo que me aguarde.  A sensação de que você tem uma carga de aprendizado e que você é capaz de construir conhecimentos e transformar a realidade dos alunos não tem palavras. Faz um tempo de um mês e meio que estou na rede municipal de São Leopoldo. Em uma semana me senti um velho professor. Reclamei dos alunos, adotei a “cultura do grito” reclamei das más condições de estrutura na escola, reclamei do salário, praticamente parecia com alguns VELHOS professores.

Um dia cheguei em minha casa e me perguntei: Cadê aquele acadêmico sabido, menos alienado, mais racional, quase dono da verdade? Cadê? Cadê aquele “APRENDIZ” com vontade de saber mais, capaz de entender o mundo? Cadê? Perguntas estas, meus caros amigos, fizeram repensar o que é resistência, o que é ser professor, e o que é ser profissional. Seremos todos, sem exceção, um eterno APRENDIZ e quando estiver mergulhado nos velhos signos reclamatórios da profissão estarei me sentindo velho e quase incapaz de aprender, estarei solapando a minha condição de APRENDIZ. Ah! Ia me esquecendo de falar da sensação de estar dentro da sala de aula. Existe uma mistura de emoção que não tem palavras. Realmente você sai se perguntando: é isto que eu quero para mim?

Quando você começa a pensar em tudo que aprendeu em História, você começa a ter noção do que é ser historiador/ professor. Começa de fato a entender realidades de mundos distintos entre diferentes escolas, alunos. Pensa-se na tarefa de enquadrar o dissente como sujeito histórico e na mais frágil situação, acaba esquecendo que nós mesmos somos sujeitos históricos de tal situação. Pensar história e ser professor realmente é vocação. Como ouvimos falar que não é fácil ser professor, mas quando não se está na área, não se tem a real dimensão das dificuldades e desafios. E qual é a minha maior dificuldade e desafio? A dificuldade é não entrar no vício de alguns “velhos” professores e o desafio é ser sempre um “aprendiz” sem o adjetivo de velho, pois tenho uma certeza: sou professor e historiador.

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Comentários

Data: 25/05/2012

De: Carolina Araujo

Assunto: Experiência

Queria colocar alguns "filósofos" como Lasier Martins dentro de uma sala de aula... mostrar os reais desafios da nossa profissão.
Pena que ele nunca descerá do pedestal...

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Data: 05/05/2012

De: Cristiane Nunes

Assunto: Elogio!

Muito bom o artigo! A experiencia em sala de aula é algo inexplicável mesmo, ela é assustadora e emocionante ao mesmo tempo...

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Data: 05/05/2012

De: Rodrigo

Assunto: Re:Elogio!

Obrigado! Sabemos como é.

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