Um pensamento histórico

28/10/2014 08:16

Alexander Martins Vianna

Ando preocupado com o futuro, pois sou bicho-homem – não sou bicho-bicho. Insisto em ter ações no presente que correspondam a tal horizonte, mas não é fácil quando o mundo age feito burro conduzido pela cenoura na ponta da vara. Enquanto isso, meu coração sangra na ponta da lança da ignorância...dos doutos...

Não se constrói um novo ethos por meios antigos. Não se negocia com fatores que, no passado, teriam impedido o nosso nascimento. Pouco importa, neste momento, o que fortuitamente nos causou ou trouxe para determinada existência. Como historiadores contemporâneos, sabemos que o que causa um evento não é necessariamente o que melhor o sustenta – e não necessariamente determina o futuro.

Não quero que o Brasil do passado determine o Brasil do futuro. Sei que futuro e passado são solos disputáveis e cambiantes, mas sempre pode haver a possibilidade de saltos dialéticos qualitativos e a conquista de novos ethos, em que meios e fins eticamente se irmanem. Isso me motiva a estar vivo, a ser combativo com as palavras e a ser professor que toma posição e dá ao adversário a chance honrosa do combate.

Precisamos de professores ousados que estimulem a ousadia e a autonomia crítico-criativa de seus alunos. Precisamos que professores sejam superados por alunos cuja razão seja formada pelo amor. Precisamos de poder público que encarne tal anseio, que não transforme professor em aplicador de recursos, métodos e técnicas desalmados determinados por outrem.

Não há atalho para isso, mas muito trabalho e combate... Quem acredita no atalho, está jogando um jogo antigo e, no final das contas, vive vigiando os outros, porque tudo ameaça a sua mediocridade.

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