Temos uma avaliação em série?

27/11/2014 09:10

Gregório Grisa do Augere

O programa Profissão Repórter de 25/11/2014 mostrou a realidade de uma escola em Goias que passou a ser gerida pela polícia militar, em 15 cidades há escolas conduzidas pela corporação nesse estado. Práticas disciplinares aos moldes do exército, com base no silêncio, no medo, na memorização, no decorar e na punibilidade caracterizam a escola.

Hinos são as únicas músicas que podem ser ouvidas e continência e mãos para trás são condutas obrigatórias. A palavra ditadura é proibida de ser dita nas aulas de história, se ordena que se fale em "revolução militar". O fardamento pago e a padronização estética dos jovens são pré-requisitos para frequentar a escola.

As grandes justificativas para existência de escolas que reproduzem valores moralistas e práticas autoritárias, que inclusive ferem direitos humanos como a liberdade de se expressar em linguagem ou esteticamente, são os resultados que elas obtêm em avaliações nacionais como o IDEB ou o ENEM, assim como os altos índices de aprovação dos seus alunos em vestibulares.

Diante desse quadro é impossível não se perguntar sobre o tipo de avaliação da educação que estamos fazendo, temos ferramentas e modelos avaliativos que avalizam e legitimam modelos pedagógicos militarizados e anti-democráticos? Avaliações em grande escala que priorizam o quantitativo, o resultado, mesmo que não intencionem, distribuem lugares sociais e prestígio que privilegiam ortodoxias pedagógicas que visam o produto independente do quão se perde no processo.

O adestramento moral e ético não importa, desde que os alunos decorem o conteúdo das avaliações e tenham bom rendimento. A incapacidade de leitura política e a formação de um sujeito obediente ao invés de respeitoso não importa, desde que o seu desempenho em testes seja profícuo. O doutrinamento conservador, machista, homofóbico e violento não é captado pelos instrumentos avaliativos que coroam e destacam as escolas.

Nossa avaliação não está premiando aqueles que marcham e repetem mais do que aqueles que questionam e refletem? Preceitos de humanismo, diversidade, pluralidade não devem ser avaliados?

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