Sem Moralina, sem Moralina, sem Moralina!...

11/02/2014 13:31

Alexandre Martins Vianna

Em 11 de fevereiro de 2014, morreu o repórter Santiago Andrade que, durante a cobertura dos protestos contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro, foi atingido por um inconsequente “fogo amigo”. Não gostei, obviamente, de receber tal notícia, tanto pelo fato em si quanto pelo modo como se o tem vinculado com altas doses de moralina desmobilizante receitada pelo lobby midiático contra as ações de protesto do Rio de Janeiro. A natureza das ações de protesto dizem muito sobre o quanto está falida a “relação cordial” de classe “à la Casa Grande/Senzala” que perpassa as instituições brasileiras. Malgrado a altíssima carga tributária, o Estado no Brasil não serve à sociedade, simplesmente a avassala, brinca e ri com o erário público e, entre tantos absurdos, paradoxalmente distribui recursos para ONGs chandalas fraudulentas que vivem de oferecer caridades para pobres que deveriam contar com serviços públicos de qualidade.

Então, eu não aguento essa dose diária de moralina de “classe média” que se esquece da violência da legalidade que não fiscaliza ou torna transparentes os contratos das empresas de ônibus e engaveta processos no MP. Odeio que não haja, de fato, uma regulação sobre margens de lucros e contrapartida de serviços nos editais emitidos pelo poder executivo para serviços de transporte público!... Odeio que a comissão sobre os transportes tenha acabado em pizza, malgrado a corajosa ocupação da Câmara da Cidade do Rio de Janeiro no ano passado!... Espero que não transformem a morte lamentável do repórter Santiago Andrade em mais doses moralinas de desmobilização dos protestos!... Se os poderes públicos se fizessem representativos e transparentes, não haveria reações violentas de protestos contra a sua recorrente ação de vassalagem chandala sobre a sociedade. É impressionante essa reação de “classe média” à sombra da “casa grande” quando a “senzala” para de estender a mão para esmolas institucionalizadas e começa a segurar em armas. Mas há sempre aqueles que se fiam na legalidade – numa bem selecionada legalidade... do bem comum... para alguns...

O que motiva ações violentas de protestos tem relação indireta com os horrores edulcorados que toleramos também em nome da fachada de legalidade, embora nos esqueçamos do quanto isso é portador de violência que gera violência... Aumento de passagem sem melhorar os serviços das empresas para não reduzir margens de lucro é, para mim, usuário habitual de ônibus da rede Real Rio, uma violência atroz, mas esta não dá mídia, esta fica longe da moralina..., enquanto, em sol a pino, eu cozinho em Coelho Neto à espera do ônibus para Seropédica, sem conforto e com preço reajustado. Mas temos a Copa... Tudo vai melhorar!... Ora!... Vão para o raio que os parta com toda essa moralina!... Eu não assumo o tipo de moralismo com que a mídia tem abordado o assunto. São abutres da morte de Santiago Andrade!...

Então, que todas as responsabilidades sejam apuradas na sua justa equidade: aquelas de quem segurou o rojão que levou à morte de Santiago Andrade e aquelas de quem e do que motivou alguém a segurar o rojão na direção errada!...

Eu prefiro ativar o campo crítico antimoralina de modo poemático:

*
não da sem escolher
não da ser dois

eu e o carrasco
sem ser um pouco
carrasco também

(Pat Lau)

Publicado orginalmente no perfil do autor em 11/02/2014

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