Ritmo em Música

22/03/2014 11:08

Luiz Oliveira

A figuração do ritmo é existente em toda a manifestação musical, se entendermos a música como manipulação de sons e silêncios, estes sons e silêncios têm um princípio e um término de existência no espaço-tempo (sendo ambos estes termos correlatos e interdependentes), estas oscilações podem ser nomeadas de ritmo, sendo, portanto, juntamente com a melodia, a harmonia e o contraponto, um elemento dado como necessário para a construção musical durante grande parte da cronologia musical histórica e sociológica.

Esta concepção se faz presente tanto na existência interior (em nossos corpos, no pulsar de nossos corações e no caminhar, por exemplo) como na existência externa a nós (na natureza e nos animais, como na bicada de um pássaro em uma árvore ou na chuva que cai, por exemplo), toda essa demonstração da existência do ritmo independente de nossa produção racionalizada e em nosso convívio nos torna muito familiar e por vezes, instintivo o entendimento deste elemento.

Tamanha familiaridade que os seres humanos obtiveram com o entendimento dessas relações possibilitou a criação de alguns conceitos, tornando possível entender que o ritmo está intensamente relacionado ao tempo (a nossa concepção construída de tempo) sendo uma ideia muito propensa a tornar-se natural e a ser muito facilmente concebida (podendo ser um dos elementos de mais fácil assimilação humana na música e que está acoplado nos outros elementos inevitavelmente).

Mesmo este princípio natural sendo tão bem absorvido pelos nossos instintos auditivos e, portanto, corporais, há algumas dificuldades para assimilar determinadas cadências rítmicas, dependendo das características sociais (a sociologia do ritmo) que cada indivíduo se encontra, e estas peculiaridades rítmicas podem ser resumidas em um único termo: acentuação.

A acentuação é a subfigura (já que o ritmo é a figura) que caracteriza cada ritmo em nomenclaturas diferentes (uma gota de chuva fina ocasionará um som com uma intensidade mais fraca do que uma gota de chuva grande, para termos um parâmetro de análise a partir de um acontecimento natural, por exemplo), estas acentuações foram sendo indicadas por dentro de um contexto musical (ritmos swingados, por exemplo) ou mesmo outras maneiras de visualizar estes conceitos (compassos compostos ou mistos, por exemplo), momentos onde há deslocamentos e defasagens da acentuação tida como natural (nos tempos 1 e 3, de acordo com a concepção ocidental de acento métrico natural).

Tamanhas incompreensibilidades com o ritmo podem demonstrar, em alguma instância, nossa incompreensibilidade para com nós mesmos e para com o que nos entorna (mundo dado como externo a nós), o ritmo pode então ser configurado como base de sustentação do ser que é a música e pode nos possibilitar a compreensão do todo musical (gestalt), não podendo ser entendimento meramente de maneira instintiva, dado que a vida contemporânea que nos encontramos é deveras racionalizada e esquematizada e que as alterações rítmicas que foram desenvolvidas no decorrer da construção musical “transvaloram” a experiência natural do som e silêncio no espaço – o ritmo.

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