Os ventos das mudanças que soprarão em 2014

22/05/2014 12:59

Daniel Baptista

Este ano de 2014 será muito especial para o nosso Brasil: tem copa do mundo, tem eleições e tem manifestações. Mas o ingrediente do meio, as eleições, é que me chamam mais a atenção. Ela definirá a continuidade de políticas de um país que cresceu impressionantemente nos últimos anos, ou então, definirá a descontinuidade destas políticas e um novo projeto que será incerto nos próximos quatro anos.

O Brasil tem problemas? Sim, muitos. Muitíssimos. Mas a vida já foi pior? Absolutamente sim. Quem viveu boa parte da vida na década de 1980 (a década perdida) sabe o que foi a inflação galopante e a falta de insumos nas prateleiras dos supermercados. Quem esteve na década de 1990 sabe o que foi a alta taxa de desemprego (no meu caso o, sacrifício que foi encontrar o primeiro emprego), graças a políticas que alavancaram as privatizações (FHC) e o fechamento de diversas micros/pequenas empresas, graças à abertura do mercado promovido pela gestão Collor.

Os últimos doze anos foram prósperos para o Brasil. Quer você goste ou não. Duvida? Então olhe para o seu telefone, sua internet, seus eletrodomésticos, sua faculdade ou universidade que você tem acesso, olhe o número de serviços que você tem acesso. Ou seja, você tem acesso ao mercado e a suas variadas prestações de serviços, um grande mercado consumível que impulsionou a economia do Brasil. Onde estão os equívocos? A via de desenvolvimento alcançado pelo Brasil deu-se pelo consumo, não priorizando - ou então, feita de forma muito tímida - o investimento na ampliação de serviços básicos e a renovação/ampliação da infraestrutura do país.

A prova disso foi às manifestações que explodiram no país todo no ano passado, reivindicando primeiramente a redução das já abusivas tarifas do transporte público. Habilmente manipuladas pelos velhos urubus midiáticos, as manifestações perderam sentido, infiltrando pautas (abaixo a corrupção, fora Dilma, não precisamos de médicos, e assim por diante) que não condiziam com as legítimas e justas manifestações dos camaradas que lutam há anos. Assim sendo, os movimentos fragmentaram-se, dissolveram-se ou então reduziram-se aos seu número original, incapazes de fazer alguma pressão no cenário político.

As manifestações do ano passado ganharam um ingrediente a mais: a copa do mundo. A copa do mundo (e mais tarde as olimpíadas) é um dos grandes eventos que promovem os países no cenário internacional - como foram as olimpíadas de Beijing em 2008, o evento foi o debute da China para o mundo. O país necessitava de eventos deste gabarito para garantir a sua inserção no cenário político-internacional e coroar essa fase feliz do Brasil. Mas isso foi em 2007. Nem o mais sábio analista político preveria que o Brasil passaria por turbulências sociais seis anos mais tarde e que, o investimento em mega eventos como os que estão a ser realizados no país, traria tanto desconforto na cúpula governamental.

Voltando ao plano brasileiro de incluir uma vasta fatia da população no festim capitalista do mercado, o governo fez com que muitos milhões de brasileiros adquirissem mercadorias que nunca antes tiveram acesso. Um excelente exemplo disso são os automóveis. Redução do IPI, juros a 0,5%, ampliação do crédito, prestações a perder de vista, economia estável. Esse conjunto de fatores fez com que muitos brasileiros fossem as ruas com seus veículos, disputando vaga com a crescente frota de caminhões (escoando e trazendo produtos, fruto dos bons ventos econômicos) e com as ineficientes linhas de ônibus, junte a tudo isso obras de mobilidade urbana mal planejadas e que andam a passos de tartaruga, estagnação da infraestrutura dos principais centros urbanos e está feito o estrago. A via de desenvolvimento escolhida pelo governo entraria em colapso. E entrou.

E onde é que tudo isso diz respeito as mudanças que ocorreram em nosso país neste ano de 2014? É o nosso paradoxo e será a nossa incógnita por gerações. Nossas tomadas de decisões que sempre favorecem algum setor da sociedade, um fardo histórico. Possuímos um desenvolvimento acentuado de determinado aspecto de nossa sociedade, em detrimento de outros aspectos. E vou apenas cutucar um exemplo: Vocês com certeza já ouviram os mais saudosos dizerem “na época dos militares tinha obras para todos os lados!” Priorização na infraestrutura. Mas e o preço social disso? Enquanto nos relacionar neste modo de produção capitalista, que prioriza o consumo e o simulacro da ascensão, sempre teremos questões díspares dentro de nossa sociedade. Assim sendo, com este cenário em constante transformação cabe decidirmos em outubro o que nós vamos querer para o nosso Brasil. Vir com discursos de “mais saúde, mais educação, mais segurança, fora corruptos” é raso demais e demonstra falta de reflexão política e social. Portanto, convido-os a fazer uma boa reflexão sobre os rumos que queremos para o Brasil, respeitando a vontade da maioria e esperar os próximos quatro anos para outra mudança.

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