Os pastores vem aí olê, olê olá...

02/08/2012 08:24

Daniel Baptista

Fala Malafaia, todos os domingos na bandeirantes canal 10 em Porto Alegre do meio dia às 13 horas. Ora porque eu estou fazendo propaganda? Acredito ser de extrema importância ver esses programas, vermos como pensam os setores mais conservadores da sociedade. Disse Mao Tsé- Tung ao se encontrar com Nixon e Kissinger: “Gosto de tratar com os direitistas. Eles dizem o que realmente pensam, ao contrário dos esquerdistas, que dizem uma coisa e querem dizer outra.” (ZIZEK, P. 14 2012). Com isso justifico parcialmente o meu gosto por ver o discurso de pastores evangélicos, desde os seus milagres messianismos e simplórios até as suas posições políticas. É necessário olharmos o que dizem estes homens perfeitos e suas verdades absolutas.

Olhem, eu não vou ter a pretensão de atacar a fé alheia e dizer o que é certo e o que é errado, afinal quem sou eu para dizer isso? Quem sou eu para contestar se o sujeito acredita no homem invisível que mora nas nuvens e vigia a todos nós e se ele quebrar uma das suas regras, que fôra listada pelo homem invisível, o sujeito vai parar em um lugar onde tem fogo e pequenos seres que o torturarão com tridentes? E isso é para toda a eternidade! Eu que vos escrevo certa vez me envolvi em uma discussão contestando esse posicionamento medieval, não levando em consideração o quanto isso faz parte da vida das pessoas para quem estava proferindo o meu discurso anti-religioso, o quanto isso é parte tanto psicologicamente e afetivamente das construções pessoais dos envolvidos. Estas pessoas não são o problema... um tempo depois do ocorrido até me arrependo um pouco de minha atitude... mas pensamento reacionário e conservador tem que ser combatido!

O programa que eu fiz propaganda no início deste texto é de excelente retórica. O Pastor Silas - que também é psicólogo - sabe como poucos conduzir o debate a seu favor é um homem carismático e muito habilidoso com as palavras. O programa tem convidados que desculpem-me, eu não sei lembrar os nomes, mas destaco o senador Magno Malta (PR - ES), que na época em que era deputado presidiu a CPI do narcotráfico e atualmente, faz um trabalho louvável, reconheço, combatendo a rede de pedofilia existente no país, o problema é quando ele misturou sua crença com a política. Esta é uma das questões que eu convido-os a refletir nestas linhas. Afinal vivemos em um estado laico não é mesmo? Mas apesar desta afirmação estar garantida na constituição lemos, por exemplo, em nossas cédulas o dizer “deus seja louvado” e a partir dessa informação podemos concluir que a um mal entendido em nossas leis. Através dessa afirmação o pastor Silas conduziu o seu discurso: “como vivemos em um País laico onde a maioria da população é católica?” Não exatamente com essas palavras, mas a idéia é essa, defendida pelo Âncora do programa, povo que crê em deus tem que ter leis que defendam a vontade divina. Percebem o quão é perigoso isso? Concordo que o País tem em sua população uma predominância católica/cristã, mas quantos são realmente? Uma coisa é você se declarar católico para o pesquisador do IBGE, outra é você praticar isso e levar todas as premissas e dogmas em todas as esferas de sua vida, desde o seu comportamento até ao seu exercício da cidadania. O discurso do referido programa está orbitando nessa temática nos últimos domingos. O exercício da cidadania pelo crente. Estão ensinando o crente a votar e cinicamente, emendam no discurso que eles não querem influenciar o voto deles (dos crentes) – só para deixar bem claro que o uso da palavra “crente” não está empregada aqui de modo pejorativo pois os próprios se denominam assim – estão misturando a fé com o exercício do voto.   

Não podemos menosprezar a força da bancada evangélica/cristã em nosso cenário político - vide o debate teológico que virou as últimas eleições presidenciais protagonizado por Dilma, homossexual, terrorista e pró aborto e Serra, paladino defensor da família, dos bons costumes e beato – junte a essa bancada, uma população que é fiel aos seus seguidores, ovelhas de um rebanho, que creêm incontestavelmente na esfera divina, uns com mais fervor outros com menos, mas enfim, está aí parte da população que saberá (ou não) para aonde direcionará o seu exercício incontestável da cidadania: para os homens de deus que irão legislar nos municípios.

Eis a questão que eu bato na tecla! O pastor Silas e sua retórica brilhante adverte o seu rebanho: “não interessa se o prefeito é a favor da marcha para Jesus e é contra a marcha dos homossexuais... você tem que saber votar em quem LEGISLA” ou seja, no vereador. As lideranças religiosas, historicamente estão ligadas aos setores mais conservadores da sociedade e apitando na política só atrasarão mais ainda as reivindicações dos setores menos favorecidos da sociedade. Como vamos direcionar a questão da legalização do aborto para um debate coerente e sem vícios, sem tocar esse problema de saúde pública na conta de deus? Como vamos finalmente reconhecer o direito da união civil entre casais homo afetivos (embora eu não goste desta expressão) sendo que o reconhecimento de tal união, além de dever de toda a sociedade para com esses cidadãos, é o primeiro passo para avançarmos em políticas que respeitem as minorias, já que o comportamento homossexual é tão natural que é encontrado em formas de vidas superiores (aves e mamíferos)? Vocês percebem a periculosidade desse discurso? Aliar a manifestação da fé coletiva (que em minha opinião não passa de uma histeria e esquizofrenia em massa) para a esfera civil aonde participam outros seguimentos da sociedade que não atendem os dogmas cristãos? E ressalto: não é por serem cristãos! Poderia ser qualquer outra religião! Mas possuímos esta herança cultural cristã e esta portanto, tem maior representatividade no Brasil.

Curiosamente estamos presenciando um fenômeno, um processo, um movimento peculiar e silencioso no cenário político nacional: a politização da religião. Esta por possuir elementos seculares (pelo menos em seu discurso) não atende a dinâmica veloz da sociedade, influenciada e influente em todos os vetores possíveis da produção humana. Estranho mesmo, é o discurso ocidental de criticar e perseguir os regimes teocráticos do Oriente Médio (destaque para o Irã e seus Aiatolás) não são aplicados aqui com a mesma veemência diante do surto cristão que presenciamos e quando o fazem, o contra ataque é realizado com velhas ladainhas do  tipo “vocês são de satanás... o demônio quer isso mesmo, enganar vocês...” desarticulando qualquer possibilidade emancipatória. Se for errôneo o regime dos Aiatolás, o que esses homens de deus farão quando forem à maioria em nossas bancadas legislativas? Teocracias? Inaugurarão a “Pós – Neo – Idade Média?” Como ficarão as questões sérias da sociedade que necessitam urgentemente de um debate público e sem paixões? Muitos podem não dar atenção e crer que o doutrinamento político realizado pelos evangélicos não surtem efeitos imediatos, mas está encaminhando-se para efeitos em longo prazo, pois os discursos mudam conforme o ritmo da sociedade. Há muitas luas atrás, os inimigos dos cristãos brasileiros (primeiro católicos depois evangélicos) eram os macumbeiros. Com a afirmação crescente da etnia afro-descendente (embora seja quase nula as benesses conquistadas na sociedade) e por esta religião ser majoritariamente praticada pelos mesmos, ser macumbeiro não é mais problema. A bola da vez são os homossexuais e as mulheres assassinas de bebês. Quem será no futuro? Torna-se portanto, necessário a seção sumária entre civil e religioso se quisermos uma sociedade plural. Defendo sim a liberdade de culto, mas dentro de seus respectivos templos.

Pastor Silas: liderança forte entre os “homens de bem”

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Comentários

Data: 01/09/2012

De: jarbas.fla@hotmail.com

Assunto: temor

a religião no brasil esta bem além dos tempos e isto é bastante preocupante! por que culpar homo e o aborto tem a conivência da sociedade, mesmo aqueles que não esta em uma religião e ai é que esta a preocupação! é o efeito machista somado ao efeito religião, uma combinação para mais de perversa dentro da sociedade brasileiro!

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Data: 29/08/2012

De: Clara

Assunto: contradição

Parei no "Olhem, eu não vou ter a pretensão de atacar a fé alheia e dizer o que é certo e o que é errado, afinal quem sou eu para dizer isso? Quem sou eu para contestar se o sujeito acredita no homem invisível que mora nas nuvens e vigia a todos nós e se ele quebrar uma das suas regras, que fôra listada pelo homem invisível, o sujeito vai parar em um lugar onde tem fogo e pequenos seres que o torturarão com tridentes? E isso é para toda a eternidade!" Uma vez que inicia um texto falando que não vai atacar a fé de ninguém, mas faz um comentário antireligioso desse. Isso se chama contradição e um texto contraditório não dá para confiar.

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Data: 01/09/2012

De: jarbas.fla@hotmail.com

Assunto: Re:contradição

eu não vi ele atacar a religião, apenas deu uma opinião pessoal e o que o autor esta tentando fazer é chamar a atenção para a perseguição aos movimentos de minoria, onde não é novidade no brasil este tipo de pratica feita pela "religião do amor" olhe como ele termina seu texto dizendo que é a favor das religiões mais dentro dos templos e que as minorias também tenha seus direitos civis segurado! todos tem o direito de decidir pela sua vida!!! não concorda? então por querer mandar no estado? na sociedade? no corpo das pessoas?

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Data: 03/09/2012

De: maurício

Assunto: Re:contradição

se vc parou na parte "Olhem, eu não vou ter a pretensão de atacar a fé alheia e dizer o que é certo e o que é errado, afinal quem sou eu para dizer isso? Quem sou eu para contestar se o sujeito acredita no homem invisível que mora nas nuvens e vigia a todos nós e se ele quebrar uma das suas regras, que fôra listada pelo homem invisível, o sujeito vai parar em um lugar onde tem fogo e pequenos seres que o torturarão com tridentes? E isso é para toda a eternidade!" não pode dizer que é contraditório, o autor falou mais adiante que se envolveu em uma discussão com outros religiosos e se arrependeu po ter feito isso! apesar de usar uma linguagem as vezes um pouco confusa, o autor tem talento e explicita suas opiniões sem usar uma linguagem técnica e difícil! parabéns pelo texto!

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Data: 04/08/2012

De: Fernando Mauro

Assunto: duvidas sobre a matéria.

gostei dessa parte em particular - "(...) a manifestação da fé coletiva (que em minha opinião não passa de uma histeria e esquizofrenia em massa)(...)" agora essa aqui ta meio confuso "(...) para a esfera civil aonde participam outros seguimentos da sociedade que não atendem os dogmas cristãos?" espero que sejam palavras do malafaia e nao suas pq a questão não é entender, mas sim ser de outra religião - que para eles é um crime de lesa-magestade!

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Data: 06/08/2012

De: daniel baptista

Assunto: Re:duvidas sobre a matéria.

amigo fernando! eu não deveria responder aqui no campo, pois o espaço aqui é para os leitores, porque a intensão é de vocês se manifestarem da forma como quiserem, sem ser rebatido ou retalhado como acontece em outros blogs e sites! mas para não lhe deixar no vácuo e lhe esclarecer vou lhe responder: eu quis dizer sim que outros grupos da sociedade participam do civil e caso os cristãos sejam majoritários no poder legislativo, perseguiram e votaram contra a toda e qualquer idéia que não atendam aos seus dogmas. quis dizer que não que eles creiam necessariamente nisso, mas as religiões sempre serão excelentes controladores sociais (disso todos sabem) e também quis enfocar que independentemente da religião, credo, fé ou a falta de tudo isso, não podemos colocar o interesse de um grupo ou uma paixão acima de toda a pluraridade que existe na sociedade (embora isso aconteça de fato, com os grandes grupos economicos por exemplo ou palyboys que saem atropelando ciclistas negros e pobres) e quis dizer também nesta frase que dogmas religiosos (sejam cristãos, muçulmanos, judaícos) não podem intervir na sociedade legitimado pelo estado, desencadeia a perseguição legal e repressão! espero ter esclarecido o amigo e continue a criticar ou a concordar! todos são muito bem vindos, pois em nosso site, salvo o professor walter, ninguém é erudito oui intelectual, tampouco defendemos uma verdade absoluta e todos os seus comentários são acréscimos para melhor desenvolvermos nossas capacidades para melhor escrevermos para vocês! abraços e continue nos acompanhando!

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