O voto e o reino da necessidade no Brasil novo

04/11/2014 09:07

Ronaldo Queiroz de seu blog

Estamos diante de um mundo novo no Brasil. E como dizia Hegel: "[...] esse mundo novo não tem, como não a tem a criança recém-nascida, uma realidade efetiva acabada". Assim, não é no senso comum que encontraremos a explicação para o novo que invade nosso velho mundo da Casa-Grande & Senzala. Há neste Brasil novo uma transformação social acelerada com a saída de dezenas de milhões de brasileiros da faixa de pobreza absoluta e o fortalecimento econômico da classe C - como resultado imediato  houve a universalização do Ensino Básico, o incremento de estudantes no Ensino Superior e a queda do percentual de analfabetos no país. Com isto é possível afirmar que houve uma melhoria significativa na qualidade do voto dos eleitores brasileiros - e não o contrário como poderíamos imaginar. E é esta realidade nova que não podemos contornar ao avaliar a popularidade de um governo alvo de excessiva espetaculização midiática e que - indiferentemente - alcança vitória nas urnas. 

O resultado da alta popularidade de um governo progressista no país, independentemente da ofensiva midiática, produziu nos intelectuais brasileiros [como no digníssimo José Murilo de Carvalho] a reprodução sofisticada do senso comum. Ou seja, a alta popularidade deste governo se explica pelo apoio dos pobres do "Bolsa Família" e pelo atraso da educação brasileira. A expressão - presente na filosofia moderna - reino da necessidade explicaria a relação entre o baixo nível social e a escolha pelo governo do PT. O grosso dos eleitores que optaram pelo governo Dilma não o fizeram por liberdade, mas por necessidade material e baixa instrução escolar. Argumento esteticamente aceitável - como toda a imagem no pós-modernismo - mas vazio de conteúdo explicativo. Não é preciso nem reler Kant ou Hegel para refutar esta redução conceitual. O reino da necessidade está no todo da sociedade civil e influencia, sim, o voto dos eleitores modernos. Contudo, influencia a todos - sem exceção. É tão legitimo e racional a escolha por parte de eleitores beneficiados pelo "Bolsa Família" por Dilma como a escolha por Aécio Neves por parte de grandes empresários e banqueiros beneficiados com a política econômica neoliberal. Claro que é uma escolha no campo do reino da necessidade [economia] e seria melhor uma escolha no reino da liberdade, mas a decisão livre passa pela libertação da "jaula de ferro da modernidade e do mercado" da qual estamos todos presos.

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