O turbilhão: Uma educação formal em formação

31/05/2013 08:49

Rodrigo Santiago da Silva Garcia

Demorei muito para iniciar este artigo, pois, estava pensando o que se passa em nosso tempo. Informações, tecnologias que quando enxergamos estão em nossas mãos e casas, porém, o impacto desta rapidez informativa resulta num cotidiano muitas vezes não entendível e o meu recorte de observação do não entendível se reporta a educação formal que passa por um turbilhão invisível.

Um dos maiores desafios da educação formal são a paciência e a compreensão. Os professores questionam o que esta havendo com os alunos, mas, poucos questionam o que esta havendo com os nossos tempos e valores. Apontam para família como uma das principais causas do caos disciplinar dos alunos, todavia, há uma mudança estrutural sobre os valores compactuados com as mudanças em nossa sociedade. Se a nova transformação aponta para o que muitos chamam de pós-modernidade é assunto para outro artigo, pois isto merece uma aproximação teórica e analise social do que vivemos. Ainda sim é possível detectar que as transformações afetam diretamente as escolas, as quais, muitas estão construídas sobre valores que estão se diluindo frente aos nossos olhos, algo que não vemos, o turbilhão invisível.

Confesso que tive certo receio em escrever isto, porque é uma analise de curta duração e analisar a historicidade social num recorte temporal de curta duração é o mesmo que estar à beira de um abismo. Mas, quando eu pensava no que me inquietava e nas motivações em retornar escrever artigos, logo surgiu a intensidade de falar um pouco destas transformações e o impacto na educação formal. Existe uma geração de professores que tem que se concentrar na percepção de um novo olhar sobre a sociedade, geração esta, em que me incluo. Temos que nos preocupar com a práxis educacional pedagógica que revela o olhar atento do educador sobre o mundo que o cerca e também cerca os alunos. Passou a fase de sermos receptores da academia, teremos que ser cada dia mais teórico da nossa prática educacional e assumir o desafio tão complicado que é desconstruir antigas concepções sobre a educação que nos coloca num paradoxo que muitas vezes nem sabemos o que é.

Este paradoxo nos viabiliza uma insana segurança do saber e o desconforto da consciência do contexto em que estamos que nos leva a compreender que não há saber pronto, mas sim, saberes a serem construídos. Nós, educadores nos encontramos num momento muito difícil da sociedade que nos contextualiza que é fazer ficar visível a conjuntura e torná-la um consenso dentro do grupo escolar. Observando as transformações fica impossível não senti-las, ou seja, por mais redundante que pareça a frase a seguir ela desperta o nosso lado crítico: A transformação no transforma, no entanto, ela não transforma os valores somente dos outros, ela mexe com nossas convicções, com nossos saberes e nos desafia a entender e nos entender, ou então ficamos na retaguarda e apontamos que a culpa esta na falta de valores.

Não existem respostas prontas, existem idéias a serem construídas neste mundo indefinido, confuso, individualista e alienante. Alienante sim, pois estamos cada vez mais separados da construção de nossas necessidades básicas, repito: não sabemos como tantas inovações e informações vêm parar em nossas casas, sim há uma resposta pronta que não me serve: é o impacto da tecnologia, ainda sim, há o desconforto de não saber como isto está acontecendo e porque estou dependendo cada vez mais, o meu papel social frente a isto tudo,  como nossa sociedade recebe, que valores a nisto e que transformações de idéias está havendo. Questionamentos que não são fáceis de responder, porém, eles têm que ser construídos e para serem construídos teremos que estar dispostos a compreensão deste turbilhão e o primeiro passo é torná-lo visível.

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