O que é Jesus Cristo?

06/11/2012 08:21

Daniel Baptista

Quanta pretensão desta pergunta, melhor dizendo, da pseudo-resposta a ser formada para ela e digo mais: eu não vou respondê-la. Primeiro por que eu não tenho esta capacidade e pretensão, deixo para os amigos leitores responder. Muito provavelmente (e confesso que esse é meu desejo), este artigo provoque uma onde de discordâncias e posicionamentos apaixonados. Até porque a pergunta do título do artigo está neste sentido – em saber ou tentar responder o que é, pois existem diversas definições para o “filho do homem” - ao invés de ter a pretensão de afirmar quem foi Jesus Cristo, o que nos remeteria a um posicionamento bem claro.

É fato que hoje em dia nos círculos acadêmicos temos a divisão entre Jesus histórico e Jesus bíblico. O primeiro Jesus, nada temos de provas concretas a não ser algumas linhas em cartas (que são poucas) antiguíssimas nas correspondências entre os governantes romanos que administravam a região e que mesmo assim não o citam de forma clara e direta e tampouco dão importância ao indivíduo, e o segundo, basta acreditar nas passagens bíblicas, sendo que o livros do novo testamento – o envagelho de São Lucas, São Mateus, São Marcos e São João  – foram escrito quase cem anos após a morte de Jesus e são os livros que mais contém histórias sobre esse personagem. Mas não podemos deixar de acrescentar na discussão que a região da Palestina é uma das regiões mais conflituosas do mundo, além de muito antiga, muito instável politicamente, geologicamente e espiritualmente também, acredito que podemos levantar essa hipótese também, de uma “instabilidade espiritual”, por ser uma espécie de corredor de passagem não apenas da região do crescente fértil, mas também uma região transitória entre o extremo oriente e o mundo europeu, resumindo foi uma região que passou por inúmeras invasões, ocupações, saques, terremotos, foi palco de guerras, enfim, um sem número de tragédias... quantos documentos e provas históricas foram perdidas nessa região milenar e importante para a humanidade? As perguntas são muitas então, e as respostas, quase nulas.

Mas voltando a várias possibilidades de quem foi Jesus ou o que ele é - talvez o maior personagem da história do mundo – existem diversas teorias, fora à clássica e pilar da nossa civilização ocidental, de que é o filho de deus ou o próprio espírito santo encarnado, temos as versões mais variadas possíveis, dizem que ele nem morreu na cruz, e sim foi se refugiar na Índia precisamente na cordilheira Himalaia onde viveu por mais de 200 anos e foi um mestre espiritual que influenciou o budismo e o hinduísmo. Os espíritas afirmam que ele é um dos diversos espíritos evoluído que de tempos em tempos encarnam no planeta entre os homens. Outros falam até que ele era um extra terrestre. Outros afirmam que era uma espécie de “Che Guevara da Galiléia”. Enfim, Jesus Cristo é um grande ponto de interrogação, foi um homem (se é que existiu) que causou uma muvuca muito grande para não se ter prova nenhuma a respeito dele, mas também é questionável a sua não existência devido a instabilidade da região já mencionada e óbvio, ao seu legado deixado até hoje, não que ele tenha deixado um legado diretamente, não temos como afirmar isso, mas que se construiu um em torno dele, isso sim.

Fato é que Jesus, como peça central do cristianismo, uma das três grandes religiões monoteístas que viriam a caracterizar uma série de costumes e regras no mundo inteiro e por conseqüência, organizar estruturas governamentais e políticas sólidas nunca saiu de moda e da pauta mundial, pelo menos no lado ocidental do globo. Em seu nome enchem-se bolsos de picaretas, construiu-se e constroem-se templos de deixar qualquer Ramsés envergonhado e com inveja. Em seu nome setores conservadores da sociedade seccionam os grupos e classes sociais, deixando bem claro a distinção entre “nós” e “eles”. Em seu nome, cura-se, guerreia-se, faz previsões apocalípticas, se deposita esperanças, se tira da sarjeta, se retira do vício das drogas, se pratica o bem com a intenção de garantir uma nuvenzinha no céu. Embora o catolicismo e até mesmo o cristianismo de uma maneira geral, esteja em crise e a sua retórica soe cada vez mais estranhas e contraditórias as gerações do século XXI, Jesus nunca sai de moda e sempre reinventam-no ou atribulem novos valores e certezas. E muito mais importante que tudo isso, movimenta-se o comércio, a dinâmica social de uma maneira que se abrem mais postos de trabalho nesta época do ano. Nunca gastamos tanto no ano do que no mês de dezembro. É presente para cada membro da família, colegas de serviço, ceia bem gorda e farta, compromete-se todo 13º salário e herda-se uma dívida gigante em janeiro e a empurramos até o final do semestre, nos casos mais otimistas.

Esse Jesus é o cara! Além de transformar o mundo em que vivemos de uma maneira única e inédita, nos faz comprar coisas que não cabem em nossos orçamentos para comemorarmos o seu nascimento, ganharmos generosos quilos extras graças a perus e churrascadas intermináveis, onde mais parece um culto ao pecado da gula, além de fazer com que a economia ganhe bons percentuais no ano e em alguns casos bata recordes, além de nos arrastar até igrejas para rezarmos em sua memória, além de fazer tudo isso, uma coisa ele não fez ou não deixou claro: o que ele foi, o que é ou que será. Tudo o que foi construído ao seu redor ou em seu nome e glória foram previstos pelo mesmo? Tudo o que permeia o assunto corresponde a sua vontade?  São questões no mínimo inquietantes, mas se estudarmos a evolução do cristianismo ao longo desses quase dois mil anos de sua existência nos dão pistas de que a possibilidade de uma cultura pura e casta é improvável em nossas relações. No entanto possuímos uma retórica legitimada e consagrada em nossa sociedade que faz com que nossas atitudes e ações sejam pautadas pelas premissas cristãs, nos levando a dúvida se essa era mesmo a retórica de Jesus, muda-se algumas regras (sacramentos, orações, vestimentas, etc.), porém o ator é o mesmo e a essência permanece, mas a essência corresponde à aparência e vice versa?

Fato é que Jesus cristo, a sua presença, está presente e muito presente em todas as épocas da história, desde o seu surgimento claro. Em seu nome legitimaram-se impérios, coroaram-se reis, perseguiram-se infiéis, torturou-se, escravizou-se, brigou-se com sua própria igreja, saqueou-se, invadiu-se. A história foi bem movimentada graças a sua existência. Acredito ser essa a maior contribuição de Jesus a humanidade – seja ele histórico ou bíblico - a capacidade de mover a humanidade e a história, não quero dizer que graças a ele somos o que somos antes que interpretem que sou grato, ou esteja louvando, ou alguma coisa do tipo, mas quero dizer que a sua relação com a humanidade é mais um elemento que faz girar a imensa roda da história, independente dele ter existido ou não, de ser histórico ou bíblico.  Enfim meus amigos convido-lhes a compartilhar esta questão e que cada um de vocês façam os seus julgamento e deem o seu veredicto.

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