O Pastor e a confusão do Estado Laico Brasileiro

11/04/2013 08:37

Rodrigo Santiago da Silva Garcia

Anda pela mídia um pastor de fala convincente e eloqüente. Ele ataca as emendas constitucionais referentes aos homossexuais. Sua principal base teórica é a bíblia.

Não é difícil perceber uma dicotomia nesta problemática. De um lado, o pastor defende suas idéias baseadas num livro sagrado religioso, do outro ele contesta as emendas constitucionais do Estado brasileiro.

A confusão disto tudo resulta numa indefinição sobre a secularidade do Estado Brasileiro. No Brasil, ainda não é nítida a separação entre a moral e o moral. O conjunto de princípios de uma sociedade que tem por base a constituição é confundido com as percepções morais de cada individuo e se falando no Brasil, a religião faz parte da construção do moral de grande parte dos indivíduos. Assim, quando um assunto de grande discussão chega à sociedade, ele aparece de forma confusa, entre a liberdade de cada cidadão ter sua opção de escolhas e a moral vigiada por instituições religiosas.

O caso da situação dos homossexuais transita neste dilema. O pastor a que me refiro, defende em seus debates que os homossexuais levariam vantagens com as novas emendas constitucionais, ao que parece, o pastor esquece que as emendas são para aperfeiçoar, tentando eliminar as brechas que envolvem os direitos de cada indivíduo, ainda mais, quando as transformações sociais acontecem de maneira acelerada, movendo a História em seu processo dialético. A liberdade de opção sexual de cada homem e mulher passam por um turbilhão de idéias, quando são debatidas, no caso do pastor, o que está em primeiro lugar são as palavras sagradas da bíblia. Creio que o pastor sabe o que fala, também creio que ele tem plena consciência na confusão da secularização em nosso país, ainda amarrado numa longa tradição religiosa.

O que causa mal estar é a apatia dos representantes de nosso país em se manifestar de forma clara e direta sobre a questão, deixando o debate se fundar ao que está escrito na bíblia. O pastor tem todo este destaque porque fundamenta suas idéias em cima de resquícios culturais religiosos, sabido dos efeitos “pecaminosos” na sociedade. A falta de representantes políticos em afirmar a secularização do Estado, envolve um longo caminho de libertação do moral religioso que cerca a moral constitucional. O Brasil é o país do jeitinho brasileiro, indefinido em suas posições, o fato é que as discriminações aos homossexuais geram a homofobia e alimenta grupos intolerantes, pois agem de forma violenta contra o que não aceitam. Portanto, ao contrário que o pastor fala em programas diversos de televisão, em que defende a idéia de que ele tem direto a falar que é contra o homossexualismo, este assunto transcende uma simples opinião, ele gera questionamentos de grandes reflexões, bem como: Um homossexual deve ou não ter direito de se beijar em público como os casais heterossexuais tem? E se a resposta for não, não estaríamos tirando um direto de escolha individual, ou seja, não estaríamos restringindo sua liberdade? Ou então, o homossexual deve se afirmar como tal em empresas onde trabalha, sem que o patrão, baseado por uma falsa escolha “livre de preconceitos” o demita por sua opção sexual?

Estes são alguns questionamentos que ainda parece serem difíceis de responder em nossa sociedade, porém, fácil de identificar o quanto a religião está presente na sociedade desde o início das civilizações.

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