O papa, a religião e sua vinda ao Brasil

23/07/2013 08:35

Rodrigo Garcia e Davenir Viganon

“Não tenho preconceitos de raça, cor ou religião. Tolero qualquer sociedade. Basta-me saber que o homem é um ser humano: ele não pode ser pior” - Mark Twain

A igreja católica retoma sua posição principal de igreja popular e volta a ser pauta nas grandes mídias, porém, existe uma figura que além de recolocá-la em evidência, também revive um cargo em sua grande importância histórica, o papa.

Historicamente o papa surge como uma figura importante na igreja católica, pois ele não era um simples chefe, era nele que se concentrava o poder, através de sua legitimidade “divina” junto aos chefes de estado que por um longo período também eram “divinamente” escolhidos.  Francisco reordena o papado e se torna peça chave para o despertar dos sentimentos católicos de cada cristão, suas atitudes dão lógica as palavras de Deus, um tanto abaladas nestes últimos tempos.

Papa beija criança e não é chamado de interesseiro

Em época de mudanças de valores, em que impera cada vez mais a lógica do consumo, do individualismo e paradoxalmente da cultura global atendendo as preposições pós-modernistas, o papa vem impressionando multidões por sua posição frente ao luxo oferecidos ao longo dos séculos ao cargo sumo da igreja católica, a humildade. Se pensarmos na confusão mental que isto ocasiona em alguns indivíduos, podemos constatar uma reavaliação de valores.  Aí recolocamos uma questão que atravessa os tempos: afinal de contas para que serve a religião?

Apesar de tantos debates em torno desta pergunta, bem como: seria o ópio do povo? Ou então, ela exerceria uma função social? Ou, faria parte de mudanças de pensamentos? Enfim, podemos dizer que ela, não esta adormecida como muitos pensam. O papa foi o exemplo que busquei neste momento, pois esta em evidência no mundo ocidental, fortalecendo sua legitimidade frente a sociedades imersas em profundas contradições. Antes que você pense que eu ache a religião como salvação dos indivíduos ou da sociedade, deixo claro que não penso isto, mas, reflito o seu impacto social desde que os primeiros homens começaram a enterrar seus mortos adornados seus túmulos. Daí para frente, o papel religioso tornou-se parte do desenvolvimento social do homem, querendo ou não.

Na atualidade, a religião institucionalizada vem tentando acompanhar os ritmos da sociedade e vem encontrando dificuldades de se identificar com os preceitos antigos e adaptá-los no mundo atual, mas não é somente o caso religioso, mas sim, a educação e outros segmentos sociais. Algumas dualizam o bem e o mal, separando o que é de Deus e o que é do Diabo, o que convém analisar que os indivíduos num mundo individualistas adaptam o bem e o mal à medida que lhe servir. Já outras, estão reavendo sua posição e não dualizam mais o bem e o mal, ou de Deus ou do Diabo, mas sim, restabelecem um estilo de vida que se distancia do estilo social em que estamos mergulhados. Por isso, o papa mereceu destaque neste artigo, porque, ele sendo o pontífice sumo da igreja católica, assume a posição ideal de vida que sugere a seus seguidores.

A igreja renasce a passos vagarosos levando multidões de jovens de todo o mundo a explorar os países. A missão jesuítica esta rejuvenescida e tem o a figura papal favorecendo a sua aceitação. A cristandade esta arrebanhando ovelhas sobre uma roupagem relativamente nova. A religião nunca morre, ela esta arraigada nos valores sociais.

Nesta onda de renovação da igreja na figura humilde do papa é que o sumo pontífice vem ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude. Sua vinda, marcada a muito, ocorre em um momento, onde protestos, ocupações e greves, tomam as ruas e os noticiários tornando o papa um elemento que vem a favorecer o discurso conservador repetido diariamente na televisão. Entre pacíficos e vândalos, quem mais encarna o pacifismo que o humilde papa? A solidariedade de brasileiros aos estrangeiros que vieram participar da JMJ não poderia ter vindo em melhor hora para o discurso midiático.

Manifestações e os mortos na Maré? "Bota na conta do Papa!"

A crise que a igreja institucionalizada se mostra não muito diferente da crise representativa na política. A representação política para ser aceita exige resultados concretos no cotidiano da sociedade e nesse sentido motivos para todas as manifestações não faltam. Exige-se uma conduta moral dos políticos, insuflada pela mídia em seu discurso conservador.

A Igreja, diferentemente da política, não tem responsabilidades materiais concretas para com a população. Não cobramos do papa condições melhores de transporte. A conduta moral representada pelo papa, assentada na bandeira da humildade, em sua recusa aos luxos já é a resposta suficiente para causar esse efeito renovador na igreja.

Em tempos que a sociedade perde suas referências políticas, e nem sempre busca novas preferindo negar tudo, nada como retornar aos velhos/novos hábitos.

A história em seus avanços e recuos nos aponta um papa que neste momento em que tudo se põe em aberto pelas manifestações, canta a música que muitos querem ouvir. A religião está longe de seu fim, pois os contornos políticos que ganham nessa renovação caminham para a revalidação do discurso moralista.

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