O maior brasileiro de todos os tempos da última semana!

07/08/2012 08:28

Davenir Viganon

Está na moda ultimamente criticar a lista exibida no programa do SBT, “O maior brasileiro de todos os tempos” que me lembrou uma musica dos Titãs “a melhor banda dos últimos tempos da última semana” que fala de como são descartáveis os sucessos musicais e os artistas da música. Mas pretendo evitar em meus apontamentos aprofundar as criticas que se espalharam na internet. Essas se focaram na indignação quanto aos absurdos encontrados na lista. Muito se ouviu falar, por exemplo, que cantores excepcionais como Cazuza e Elis Regina ficaram atrás de Luan Santana e Michel Teló, que grandes jogadores como Garrincha e Sócrates, ficaram atrás de Neymar, além das aparições que são esdrúxulas por si só, como Dedé do Vasco e Lua Blanco da novelinha “Rebeldes”. Essa lista, mas precisamente a discussão que se fez em cima dela, é de fato uma boa oportunidade para fazer criticas e refletir sobre o nosso país (o que cabe salientar que não é um mérito do SBT!). Mas que tipo de criticas ouvimos e lemos por ai? Aqui nesse espaço faço minha critica aos críticos da internet.

A primeira coisa que gostaria de salientar é que em muitas das criticas feitas internet afora sobre a lista é muito comum encontrar um único culpado pelas bizarrices encontradas: o povo. De fato foi à população que escolheu os nomes da lista (a não ser que o Silvio Santos colocou Lua Blanco e Dedé do Vasco só de sacanagem), mas que meios tem essa população de conhecer os membros mais “nobres” da lista? Isso mesmo, quantas pessoas não descobriram quem eram Carlos Chagas ou Chico Mendes, justamente quando assistiam ao programa? A internet dispõe de qualquer informação sobre Carlos Chagas ou Chico Mendes para conhecê-los e fazer com que qualquer pessoa passe a admira-los. Mas nos sites mais visitados do país e na TV aberta não encontramos espaço de ampla divulgação de, por exemplo, um documentário sobre algum desses “grandes brasileiros”, mas sempre podemos contar com Luan Santana e Michel Teló aparecendo num programa dominical ou em uma fofoca no sites especializados em “celebridades”. Em outras palavras, a lista que vemos foi votada pelo povo, mas o que o povo pensa, se lembra, gosta, glorifica é resultado de uma influência da televisão que dissolve com seus produtos descartáveis a memória de médio/longo prazo do povo.

Quanto aos críticos, como o apresentador do programa, o jornalista Carlos Nascimento, ficou com uma imagem de inteligente e indignado quando disse que “nós precisamos ser mais inteligentes”, a época da tal “Luiza que está no Canadá”. E no meio alternativo, fruto da disseminação da tecnologia, os críticos de plantão da internet, também aproveitaram para ficar revoltados, descolados e/ou engraçados dizendo que o povo burro (além de outros adjetivos) tinha feito escolhas esdrúxulas nessa lista. Mas ambos não vão além de descontar no povo o peso e a responsabilidade pela sua própria ignorância. Não se trata de tirar toda a responsabilidade do povo, mas sim de reconhecer o papel da mídia nesse processo. E o que me deixa particularmente desanimado é que justamente essas pessoas, que estão usando meios alternativos para poder falar o que pensam, não questionam o próprio meio que veicula a informação no país. Assim acabamos voltando para aquela discussão que fizemos no texto sobre o programa Na Moral, a pouco tempo atrás, no ponto em que é questionado sobre quem é a responsabilidade do que vemos na mídia? O povo ou os grupos de mídia? Até aqui nesse ponto acho que a pergunta se torna quase retórica!

Mas voltando aos críticos, foi muito fácil encontrar nessas criticas ataques dirigidos aos membros mais “populares” da lista: Luan Santana, Neymar, Michel Teló que concordo nesse ponto nas critica feitas no aspecto de “não contribuírem em nada com país”. Mas quais, entre todos os membros da lista, realmente fizeram algo pelo Brasil, na verdade poucos!

As criticas que sobraram aos “artistas populares” faltaram a outros brasileiros tão pouco valorozos como Eike Batista, empresário podre de rico, que não faz bem algum ao país a não ser ganhar dinheiro para si mesmo. Sinceramente, não vejo bem nenhum ao Brasil que o empresário mais rico do país (e um dos mais do mundo) possa trazer. O fato de ser mais rico só confirma que ele é o melhor em explorar a mais-valia do trabalhador que os outros! E quanto aos donos de igrejas evangélicas: Silas Malafaia, R.R. Soares, Valdemiro Santiago e Edir Macedo que foram definidos no programa como “donos de obras de caridade” resta saber que caridade é essa? Até onde eu sabia para fazer caridade você te que distribuir ao povo e não arrecadar dele! Isso para não começar uma critica a própria caridade (assistencialismo), mas ai é assunto pra outra conversa.

O que quero salientar, no entanto, é que esses grandes exploradores brasileiros não foram criticados e sim apenas os mais populares, (Michel Teló, Luan Santana, etc.) que por sua vez nem são os que lucram mais e sim possuem empresários investidores para lucrar em cima deles. Essas criticas que se espalharam na internet se manifestaram por vezes de maneira superficial, muito preconceituosa e com meias verdades, que acabam por ser prejudiciais pelo simples fato de que essas pessoas que criticam o povão também não são lá muito inteligentes.

Eis alguns exemplos desses críticos:

http://telinhadatv.wordpress.com/2012/07/12/o-maior-brasileiro-de-todos-os-tempos-se-tornou-piada-gracas-aos-internautas-brasileiros-que-ja-foram-mais-inteligente/

http://mhztv.blogspot.com.br/2012/07/critica-o-maior-brasileiro-de-todos-os.html

http://www.youtube.com/watch?v=HqT8RQmHAB4

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