Notícia e mídia no Brasil (V): O início da Televisão até o golpe de 64

11/06/2013 08:18

Davenir Viganon

O contexto político dos anos 50/60 era de transformação. As políticas populistas entravam em crise na medida em que impedia o capital estrangeiro circular livremente no país. O Macartismo da guerra fria não dava espaço para políticas públicas que aproximassem governo e povo, soava esquerdista demais. A queda de Vargas, marcada com seu suicídio, e a subsequente eleição de Juscelino Kubitschek deram um caráter entreguista, ou seja, de abertura econômica ao populismo no país. Justamente esse capital estrangeiro vai contribuir para o erguimento dos atuais monopólios de comunicação. 

O país atravessava um momento em que não havia espaço para meio-termos. O acirramento da guerra fria, com a bem sucedida revolução cubana, exigia um firme posicionamento das forças políticas na América Latina. Depois do governo de JK, Jânio quadros se mostrou titubeante ao não conseguir lidar com as contradições entre o populismo e a pressão para a abertura a capitais estrangeiros. Seu governo não resistiu, ao presente de grego deixado por JK, entre eles a inflação e uma dívida externa crescente. 

A situação que já não era estável desde o inicio do governo de Jânio Quadros, só veio a piorar no período em que Jango – João Goulart - assumiu, em 1961. Suas medidas já eram consideradas esquerdistas demais, ainda mais depois de sua repercutida visita a China. Seus discursos e seu posicionamento eram usados pela imprensa para prejudicá-lo politicamente. Estavam preparando o golpe que foi deflagrado em 1964.

A televisão que, entra no país nos anos 50, é muito influenciada pelo rádio. Teve inicio com a chegada com a TV Tupi (1951) de São Paulo e logo em seguida no Rio de Janeiro. Diferente de uma iniciação partidário e/ou moralista como o jornal impresso, ou como curiosidade cientifica como o rádio, a televisão chega sem idéias românticas, buscando ares de profissionalismo. A Tupi, que pertencia a Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados que já agregava emissoras de rádio e jornais, marcou o empresário como pioneiro da TV no país. Outro empresário que lançou bases na TV no país foi o dono das Emissoras associadas de Victor Costa.

Inicio amador da TV brasileira: bastidores da TV Tupi[1]

Nesses tempos iniciais da televisão no país, o improviso imperava nas transmissões, que eram todas ao vivo e a precariedade do equipamento não ajudava na qualidade da programação, outro fato a atentar era que não havia pessoal especializado em produzir TV no país, eram todos migrados do rádio. A televisão era chamada também de rádio com imagens.

O alto custo dos aparelhos restringia a quantidade de pessoas que podiam usufruir o aparelho, mas isso não importava ao público, pois dava status social possuir uma televisão, onde ocupava (e ainda ocupa) posição central dentro de casa. O rádio ainda reinaria nos anos 50 como o meio de comunicação da família, perdendo espaço à medida que a televisão se profissionalizava.

As emissoras de televisão se fixaram no eixo Rio/São Paulo. Entre elas a TV Record (1953), TV Rio (1955), TV Paulista (1952), TV Excelsior (1960) e depois  se espalham em outras cidades do país, a TV Piratini – do Rio grande do Sul - (1959), TV Itacolomi - de Minas gerais - (1955), TV Rádio Clube do Recife (1960), entre outras.

Propaganda já era a alma deste negócio desde o inicio da televisão[2]

No que tange as empresas que usufruíam das concessões de rádio e TV, também tiveram de se posicionar politicamente. Atacar as idéias da esquerda era o padrão jornalístico nesses períodos tensos e difamar o adversário significava ser acusado de ser esquerdista, nisso os políticos populistas encontraram sua ruína, visto a similaridade das políticas sociais que ambos propagavam como premissas de governo.

Com o golpe de 1964 deflagrado, temos a fuga de Wallace Simonsen (amigo de Goulart), da TV Excelsior e a ascensão de grupos de mídia que apoiavam claramente e também dos que se calavam frente ao regime. A característica ideológica da mídia no Brasil, continua sem ser aberta politicamente, mas berrava seu posicionamento político influenciando o golpe dando legitimidade ao mesmo. 

Referências

BRITTOS, Valério Cruz; BOLÃNO, Cesar Ricardo Oliveira. Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia. São Paulo: Paulus, 2005

GUARESCHI, Pedrinho A. Mídia e democracia.

HERZ, Daniel. A História Secreta da Rede Globo.

RAMOS, Roberto. Grã-finos na Globo: Cultura e Merchandising nas Novelas. 1986.

RUDIGER, Francisco. Tendências do Jornalismo. UFRGS. Porto Alegre, 1993.

http://historiadaimprensanobrasil.blogspot.com.br

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Notas

[1] http://www.carosouvintes.org.br/blog/?p=34219

[2] http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/meio-seculo-da-tv-comercial-no-brasil-especial

 

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