Impasse da esquerda brasileira: Política e ideologia. (Parte I)

03/07/2012 13:11

Davenir Viganon

O primeiro mandato de Lula carregou os dois lados opostos da mesma moeda: de um lado um presidente de esquerda, operário, sindicalista e do outro uma mudança, uma suavização de sua postura que acompanhou sua caminhada ao poder. O que se estende ao partido que antes agregava as esquerdas ao seu redor, hoje não possui mais sua ala radical, que se dedica entre outras coisas a uma dura a critica ao PT junto a outros partidos de esquerda. O impasse da esquerda brasileira tem implicações políticas e ideológicas, que ainda não foram resolvidas, então o que podemos refletir sobre elas.

Com a saída de FHC, Lula se elege e parte da esquerda chega ao poder. O que criou muitas expectativas da população e da esquerda em geral no país de um governo que fosse mais “social” que “econômico”. O PT chegou ao poder na presidência do país com um discurso mais “suave” que na época da eleição de Collor. Buscavam se desassociar a imagem de radicais, para assumir uma postura de “defensores da democracia” assemelhando com seu novo aliado, o PMDB. O que não deixou de ser uma contradição, pois, um partido que se assume como esquerda se aliar com um partido de direita. Mas aliança não veio sem um custo, primeiro que podemos citar é o racha da ala radical do Partido devido a “suavização”.. O PSOL que se tornou oposição do governo é um fruto dessa dissidência. O outro custo foi dividir o poder com PMDB, partido que não sabe o que é ser oposição desde a redemocratização, que firmou uma aliança com seus antigos inimigos para continuar no poder.

Muitas questões podem ser levantadas a partir daí. A que acredito ser a mais comum seria: mas o PT ‘se vendeu’ ou é uma ‘estratégia’? Que pode ser expressa em outras palavras, qual a linha política do PT que se aliou ao PMDB? Não tenho a resposta para essa pergunta, mas levanto algumas considerações e reflexões sobre o assunto.

A instabilidade e a necessidade.    

Consideremos em primeiro: Vale lembrar que em nosso país (e na América Latina também) os partidos políticos são instáveis ideologicamente, quer dizer, não são o que dizem, por exemplo: O PSDB que deveria defender a Social-demoracia é de fato Liberal, O Democratas (antigo PFL - Partido da Frente Liberal) copiaram ridiculamente o nome do partido de Obama e nem devem saber o que defendem seus “inspiradores” americanos, pra não citar aquelas siglas de momento que são tão descartáveis e fajutas como o guaraná de mercadinho. Em suma, votar em algum partido é como comprar uma Coca-cola e descobrir que tem Fanta no conteúdo. Levanto esse ponto por que, em nosso sistema partidário, os partidos não são regidos por uma ideologia e sim pelo personalismo. Nossos partidos são parecidos com empresas em que seu produto é o candidato. É no candidato em que a população vota e não na ideologia do partido.

Em segundo, O PMDB é um mal necessário para se governar no Brasil devido a sua relevância e as características do nosso sistema democrático. O PMDB elege deputados e senadores o suficiente para mudar os rumos de qualquer votação nas câmaras federais, além de representar camadas abastadas da sociedade, sendo assim uma força política considerável no país. Claro que estamos falando de um sistema “democrático” em que o favoritismo político impera, assim como outras modalidades de corrupção. A escolha do PT foi negociar com esse partido para poder assumir o poder. Essa mudança acirrou o impasse entre a esquerda a ponto do racha no PT.

Em uma parte II, vamos abordar as expectativas de um governo de esquerda no poder, como de aconteceu e lançar alguns questionamentos para o futuro. Seja sobre as visões mais “puras” da esquerda, quanto das mais “moderadas” frente ao que vemos no cenário político do país.

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