Entre o internacional e o nacional se oculta[va?] um intra movimento uniforme (Parte I)

08/05/2014 13:54

Marcos Belmonte

Estamos vivendo um tempo de mudanças substantivas para a política nacional e, muito disso, devido às políticas internacionais. As organizações internacionais, tais como: ONU, UE, OTAN, IBAS, BRICS, 20+1, Autoridade Palestina, bolivarianismo e etc., estão se postando no mundo – de maneira integral e/ou regional - assumindo posturas relevantes e colocando-se, direta ou indiretamente, positiva ou negativamente, como grandes atores para as decisões dos destinos da economia-política internacional. Confrontos e turbulências, endógenos e exógenos dos países, no âmbito social, cultural e na política mostram a intensidade dessas mudanças. Para os mais displicentes ou negligentes, com relação aos acontecimentos que fogem um pouco do raio do seu umbigo, esses, só percebem quando já acamados sentem as dores no corpo, com o muco escorrendo dos seus narizes sendo entupidos de remédios, caseiros, sociais ou capitalizados, recomendados por familiares, médicos cubanos ou pelos conselhos de medicina corporativistas ou pela TV. A capacidade aidética da gripe de repelir as vacinas, opa! Desculpem: a propriedade aidética do capitalismo atual e hegemônico capitaneado pelos EUA de repelir outras práticas políticas-econômicas, que não subservientes aos seus desígnios, estão se fazendo sentir no nosso cotidiano interno e, intensificados, agora em ano de eleição, Copa do Mundo e etc. A vida dos porto-alegrenses, viamonenses, capixabas, paulistas, da Lapa, soteropolitanos, senegaleses, indianos e etc, está intimamente vinculada à dos habitantes da Criméia, Donetsk, Líbia, Rússia e dos EUA. Não vivemos numa bolha. O homem não é uma ilha. Parece que estamos percebendo que, ou estamos todos indo bem, ou estamos todos fodidos.

Manifestantes pró-rússia retiram bandeira da Ucrânia em Donetsk

Movimentos sociais questionadores estão brotando – de maneira mais visual, pois, sempre existiram nas sobras das câmeras das TVs abertas - dentro do país. As polícias das cidades brasileiras repelem de maneira truculenta, brutal, bárbara – quando não, assassina – as manifestações populares que reivindicam melhores condições de trabalho, saúde, salarial, social e etc. Populares que fazem parte desses movimentos legítimos são considerados inimigos do estado e da ordem. Se aprofundarmos um pouco mais, veremos que a visão dos anos de chumbo ainda persiste: se você não está de uniforme, você é inimigo. O sonho de um general filha da puta se faz sentir nas atitudes dessas polícias militarizadas – todo o brasileiro deveria passar no pau-de-arara para sabermos se é patriota. Basta questionarmos as leis – ou regras capitalistas forjadas para a manutenção dos privilégios e benefícios de poucos e de seus brutamontes uniformizados – para sentirmos como esses amam ter o privilégio da violência. Prendem sem provas de nada, matam, praticam preconceitos étnicos, de gênero, social, montando um verdadeiro baluarte para as investigações “ofensivas e subversivas” como a Comissão da Verdade.

Devido à difusão consistente de informação, não cooptada, pela internet, essas violências do braço policialesco já não podem se impor imaculadas. Neonazistas, skinheads e outros infiltrados nos movimentos provocavam caos nada politizados popularmente, e acabam por permitir “legalmente” que a polícia interfira de maneira habitual, com o devido respaldo, “queimando” o movimento. Manifestantes populares são considerados terroristas. Cidades, como a de São Paulo, ativaram uma lei dos tempos de chumbo: A Lei de Segurança Nacional, mas podemos lê-la como A Liberação para Reprimir Violentamente Todos os Movimentos Contra Nossos Interesses. Em Porto Alegre uma lei proíbe que manifestantes usem máscaras nos movimentos. Dizem que essas pessoas não querem ser identificadas e assim podem cometer as maiores barbaridades contra a lei, mas não diz nada sobre os policiais que vão reprimir as manifestações sem identificação. Pode-se ler que, assim sendo, só “marginais” de uniforme são aceitáveis.

Temos, desde 1988, a dita Constituição Cidadã, que foi forjada para defender o povo e a nação, mas ela é facilmente rasgada quando a maioria reivindica mudanças de fato. Isso não era questionado tão amplamente nos anos de 1990, no entanto, a conjuntura atual mostra as intolerâncias da elite do braço militar e policial contra o povo. Houve movimento. As coisas estão evoluindo, e como não podia deixar de ser, reações histéricas e desproporcionais estão explodindo dos setores conservadores insatisfeitos com os avanços populares e do povo. O governo atual do PT – que um dia foi de esquerda, mas que hoje está em algum lugar entre o centro e a centro-esquerda – é tido como o grande responsável e vilão pelas elites  oligarquias – e seus braços – pela atual situação de convulsão. Eles chamam de caos e inferno corrupto, em oposição ao seu tempo de cosmos equilibrado e virtuoso. Falácia absurda.

Movimentos sociais questionadores estão brotando – de maneira mais visual, pois, sempre existiram nas sobras das grandes mídias cooptadas - fora do país. As nações capitalistas – hegemônicas e subalternas – dos países europeus, asiáticos, africanos e latinos repelem de maneira truculenta, brutal e bárbara – quase sempre, assassina – as manifestações populares que reivindicam melhores condições de trabalho, saúde, salarial, social e etc. Populares que fazem parte desses movimentos legítimos são considerados inimigos dos respectivos estados e da ordem capitalista. Se aprofundarmos um pouco mais, veremos que a visão dos anos bipolares da Guerra Fria ainda persiste na realidade capitalista norte-americana e de seus capachos. Se você não é um capitalista neoliberal e subserviente à Ordem Mundial declarada pelo asqueroso Bush, você é inimigo. O sonho das elites macarthistas capitalistas se faz sentir nas atitudes desses estados belicosos e ignóbeis – todo o esquerdista deveria ser banido do planeta por não ser à favor da liberdade. Basta questionarem a new order – ou regras capitalistas forjadas para a manutenção dos privilégios e benefícios de poucos e de seus rentáveis exércitos – para sentirem como esses amam ter o direito divino e hegemônico da matança bárbara. Invadem países sem provas de nada, matam, praticam preconceitos racial, de gênero, social, nacional, religioso e montam um verdadeiro baluarte para as investigações “ofensivas e subversivas” de órgãos como The human right e negociadores internacionais fora do círculo corrupto aceito.

Os conflitos na Ucrânia não são de uma realidade isolada, mas coletiva. De todos.

Devido à difusão consistente de informação, não cooptada, pela internet, essas violências do braço militar capitalista já não podem se impor imaculadas. Neonazistas, skinheads, setores da extrema-direita civil e religiosa e outros infiltrados nos movimentos provocavam caos nada politizados popularmente, e acabam por permitir “legalmente” que o estado golpista e/ou cooptado interfira de maneira assassina habitual com o devido respaldo da hegemonia norte-americana e cúmplices da NATO contra o(s) movimento(s). Manifestantes populares são considerados terroristas. Estados nacionais, como o da Ucrânia, sofreram um Golpe de Estado que dispararam uma situação dos tempos estúpidos da Guerra Fria derrubaram um governo corrupto contra a liberdade e a democracia ocidental, mas podemos lê-lo como a derrubada de um governo que preteriu a falida UE à Rússia e que era contra os interesses dos EUA e a corja da OTAN. Em Washington e na União Europeia algumas sanções proíbem que cidadãos russos entrem nesses territórios, isso após a anexação da Criméia à Federação Russa depois de um referendo que apontou que cerca de 96% dessa população (de maioria russa e falantes de russo) mostrou-se favorável à essa medida. Dizem que essa Rússia é conivente para com as convulsões no leste da Ucrânia e na Criméia separatista, e, assim sendo, esses desordeiros podem cometer as maiores barbaridades contra a democracia ocidental, mas, não dizem nada sobre os neonazistas e neofacistas golpistas, que estão à assassinar brutalmente manifestantes pró-Rússia sem serem cobrados pelas regras mais básicas dos direitos humanos. Entende-se, só “assassinos” pró-ocidente – EUA e OTAN - são aceitáveis.

Temos, desde 1949, a dita Carta das Nações Unidas e Estatuto da Corte Internacional de Justiça, que foi forjada para defender os povos e as nações – assim como a Carta de Objetivos do Novo Milênio -, mas elas são facilmente rasgadas quando as nações reivindicam mudanças de fato na ordem capitalista hegemônica ocidental. Isso não era questionado tão amplamente até os anos 90 no mundo, mas, a conjuntura atual mostra as intolerâncias da política-econômica e militar do capitalismo norte-americano e seus capangas cooptados contra as nações questionadoras e/ou não alinhadas. Houve movimento. As coisas estão evoluindo, e como não podia deixar de ser, reações histéricas, anacrônicas, obsoletas e desproporcionais estão explodindo dos estados e setores conservadores insatisfeitos com os avanços das nações e/ou regiões contrárias a hegemonia. A Rússia, como potência internacional – que um dia foi a “ameaça” Comunista e nêmese capitalista, mas que hoje está em algum lugar entre o conservadorismo e o capitalismo liberal reformista – é tida como a grande responsável e vilã pelas nações capitalista pró-EUA – e seus braços – pela atual situação de convulsão na Criméia e leste da Ucrânia. Eles chamam de caos e inferno corrupto russo, em oposição ao seu capitalismo democrático equilibrado e virtuoso ocidental (EUA). Falácia absurda, desequilibrada e atualmente, se usarem-na como base para uma invasão na região, suicida[1].

[parte II]

Nota

[1] A menos que os EUA pudessem mandar 150 mil soldados, pelo menos 50 mil nos primeiros 30 dias, o que Jeffrey sugere é receita de desastre. Sem essa força núcleo, alemães, poloneses, lituanos, latvianos, estoianos, eslovacos e húngaros não têm nem esperança de reunir número equivalente de soldados. Mais importante: a força norte-americana teria de ser pesadamente blindada e incluir quantidade substancial de artilharia de foguetes, unidades de mísseis de defesa aérea, além de elementos de logística. Evidentemente, o embaixador [Jeffrey] não sabe que já não existe, nos EUA, tamanha força de ataque por terra. Graças aos últimos 12 anos de lideranças políticas e militares soberbamente incapazes, os soldados e “coturnos em terra” com que os EUA contavam foram desperdiçados no Iraque e no Afeganistão. Hoje, as forças recrutadas para o exército terrestre, como também a Infantaria leve do exército e da Marinha, são absolutamente incapazes de fazer frente às forças terrestres russas, em nenhum ponto da Europa Central ou do Leste, sem se exporem à aniquilação certa. Retirado Pravda.Ru em 29/04/14 10:14

 

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