Dívida histórica, nós devemos cobrar?

13/12/2012 08:44

Rodrigo Santiago da S. Garcia

Cada vez está mais difícil conversar sobre cotas e consciência negra em nosso contexto social. A história da formação de nossa sociedade ela é reconhecida (em certa medida) por aqueles que são contra as duas manifestações a que se recorre a dívida histórica.

Onde está concentrada a idéia de que cotas e consciência negra são formas geradoras de racismo e formas perturbadoras sobre a potencialidade do negro? Está concentrada num falso moralismo ético e uma falsa meritocracia, sensação nos discursos que afirma que ações afirmativas ou de valorização do negro na sociedade brasileira são coisas que “põem em nossas cabeças”, ou seja, são coisas não existentes em nossa sociedade.

A minha opção é de observar, quando entro em debates, sobre a existência ou não das complexidades que envolvem as relações raciais no Brasil. A meritocracia está subjetivamente estruturada em todos os discursos contra as ações afirmativas. Nossa sociedade, ainda não valoriza a História, sabe da existência de um passado, mas ainda não compreende o impacto no presente. No entanto, estaria na educação o papel de transformação social? Infelizmente, está cada vez mais distante esta transformação. “Precisamos de respostas” slogan da RBS para a educação melhorar e isto, irritam profundamente, a qualquer professor (não todos), diretor (não todos) ou componentes de nossa sociedade um tanto crítica. Sabemos que os valores inseridos em nossa educação remetem aos valores burgueses de visão educacional e visão de mundo, o que contrasta com a realidade dos alunos de periferia. Dentro do possível, o professor ciente de sua situação e a dos alunos têm que trabalhar de acordo com seus ideários, a perturbação disto tudo é trabalhar os ideários com seus colegas de profissão. Enquanto houver um fosso social, escamoteado por uma falsa ilusão de consumo, a educação sempre será difícil, pois a escola não exerce o mesmo papel, comparando os da classe abastarda, com os desprivilegiado, aliás, desprivilegiado, afinal das contas, são os que irão sofrer com as cotas ou então os que enxergam nos movimentos de consciência negra uma forma de racismo às avessas.

Santas ironias não acham? Os problemas que envolvem as relações raciais estão cada vez mais empoeirados, não que se negue um avanço dos negros, através de muitas lutas, o que melhorou o cenário brasileiro, comparado com o final do século XIX e início do século XX. Porém, existe uma falsa sensação de que hoje em dia, as coisas são realizadas quando simplesmente queremos aí se é equalizado um exemplo de superioridade das adversidades, sem cotas, por um homem negro que consegue ser bem sucedido através de seu próprio esforço. Ainda vejo uma maioria branca na televisão, nas faculdades, nos cinemas, nos teatros, nas bonecas vendidas no shopping, nas propagandas de escolas, nas propagandas de venda de residência, em chefes de repartições, chefes de empresas. A que se deve esta desigualdade numa sociedade tão meritocrática e fundada numa democracia racial?  “absurdo cotas no Brasil, isto parece uma atestado de inferioridade” discursos que são ditos em assuntos sobre a cota, ou então estão divulgando um vídeo no youtube, sobre a fala do ator norte americano Morgan Freeman, o qual se opõe contra o discurso da consciência negra. “Não devemos falar sobre isto se queremos um igualdade” santa paciência, basta um negro entrar num espaço de maioria branca para se observado, testado e aí sim inserido neste grupo, não irei entrar no mérito das relações pessoais, ou seja, quando um negro se casa com uma branca.

Está cada vez mais difícil debater estas questões, devemos cobrar a dívida histórica, para algumas pessoas, o mais simples é negar a história e fazer de conta que nada aconteceu e que nossa sociedade é igual, consegue quem quer.

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