Dinheiro: pra que te quero!?

23/08/2012 08:17

Davenir Viganon

O prêmio da Mega-sena estimula a imaginação, quem não gostaria de ganhar milhões sem esforço algum? Quem não tem uma resposta pronta para o que fazer com o montante? Pensar no que fazer com o prêmio leva a mente da grande maioria do brasileiro a uma viagem a um mundo onde seus problemas serão resolvidos (contas nunca mais!) e prazeres infinitos ao alcançe da carteira. Em todos esses vislumbres de "outro mundo", são versões de nosso mesmo mundo onde estamos em uma condição e posição na sociedade do que imaginamos ser elite. Em tempos de capitalismo em crise, o dinheiro é solução? Pretendo fazer apartir daqui algumas reflexões sobre o sonho de riqueza refletida na riqueza financeira que povoa a cabeça da maioria, o dinheiro e a crise atual do capitalismo.

Com dinheiro se faz tudo!?

Há pessoas que gostam do dinheiro por que com ele se faz tudo, com ele se compra tudo que se pôem a venda denteo das fronteiras do pais, (a não ser que seja em dólar aceito no mundo todo) afinal o dinheiro é um “vale” garantido pela economia do país, uma abstração da riqueza deste mas o dinheiro é muito mais do que isso. Dinheiro é poder: quando se segura na mão um maço de notas, um cartão sem fronteiras, é poder pra quem sustenta um objeto que só pode ser obtido por quem possui muito dinheiro, (um carrão de velozes e furiosos) em outras palavras aqueles objetos que ativam a imaginação dos demais e atrai a atenção para si. Mas para a imaginação daquele que ganha salário minimo, o poder do dinheiro para por ai. Mas as fronteiras do poder que o dinheiro porporciona são mais amplas, para a maioria da população não é tão clara a conexão entre o dinheiro e o poder.

Foi muito nocitiado que o filho do magnata Eike Batista, Thor, não foi preso, depois de ter matado um ciclista pobre. A explicação todos sabem dar, “foi por que ele tem dinheiro”, por que ele tem o poder que só o dinheiro dá. Dinheiro para pagar um advogado, para contratar alguém para remove-lo da cena do acidente dali imediatamente, trata-lo medicamente. O poder de Eike Batista está em ser um grande capitalista, que é aquele que sabe acumular capital financeiro, não por que ele (mais o filho que o pai na verdade) esbanja poder gastando em fetiches e sim por que ele é sabe gastar seu dinherio em coisas que retornem mais vezes mais esse dinheiro, no seu caso esse investimento é em energia.

A habilidade de Eike batista não é apenas de ganhar dinheiro mas também de não perde-lo, mas isso não depende apenas dele, e sim da situação favorável que o Brasil está passando, correndo por fora da atual crise fornecendo produtos primarios, as chamadas commodites agricolas e minérios para a China. Enquanto isso nas áreas centrais da crise (Europa e EUA) o valor do dinheiro, garantido pelos países e pelas grandes empresas, está se diluindo pois os grandes capitalistas de lá não conseguem reverter mais fisicamente sua riqueza, sua riqueza se tornou apenas seu dinheiro. Isso não quer dizer que eles estão pobres, mas sim que eles perderam a capacidade de acumular dinheiro pois essa acumulação se dá apenas no papel, cada vez mais distante da riqueza real, que é produzida apenas pelo trabalho. Lembrando que o objetivo não apenas ter a capacidade de transformar toda aquela riqueza financeira em material mas continuar a supremacia da riqueza financeira sobre a material pois a primeira é produzida pelas grandes capitalistas e a material é produzida pela força de trabalho. Quando não se tem mais co controle da riqueza financeira encontramos uma limitação para o que se faz com o dinheiro. Não se resolve a crise simplesmente pagando a pessoa certa, caso fosse assim os EUA já teriam resolvido apenas com a impressão de Dólar, o que na verdade está apenas acalmando as coisas por lá.

Enquanto o população brasileira (incluso eu!) quer ganhar na mega-sena estamos na verdade querendo ganhar uma grande quantidade de vales que podem ser trocados pela produção, obtida sempre pelo trabalho de alguém, desde uma peça de bazar 1,99 até uma refinada e luxuosa máquina de se locomover de 5 milhões! Se voce não é tão “habilidoso” quanto Eike Batista como investidor de capitais, dificilmente seu dinheiro vai durar e a farra vai acaba rápido.

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O que se faz sem dinheiro?

Para quase tudo que se faz há de se ter dinheiro, a mercantilização de todas as coisas as vezes alcança niveis absurdos como mostrados no documnetário “the corporation”, que mostra que esse processo leva a uma sociedade sociopata e extremamente dependente do dinheiro e de sua circulação. Não basta haver dinheiro na circulação de bens básicos como a água (comida, moradia) a ponto de se privatizar a agua da chuva; nem de bens de luxo (celular, carro), o capital avança na comercialização transformando em bens todas as esferas da vida, se vende  o amor e o sexo por exemplo.

Não que voce compre uma namorada, mas sim se coloca a venda todos os meios de conquista, que são vendidos como extremamente necessários. O sexo já era vendido antes do capitalismo, é verdade, através da prostiuição e de certa forma nos casamentos arranjados mas no mundo moderno (ou pós moderno se preferirem) se vende fantasias sexuais em filmes, nas musas da televisão, está presente também na padronização de um ideal de corpo perfeito para as mulheres imposta nos meios de comunicação e e proprocionada nos meios para se alcançar artificalmente esse ideal. Tudo isso vendido desde lojas espacificas de sexo, as Sexshops até nos menus de cortes e implantes oferecidos pelos cirurgiões plásitcos! Apenas mencionando o sexo, é capaz de listar uma imensa quantidade de produtos criados que não são obtidos sem o dinheiro.

Mas a loucura não para por aí, não bastando haver dinheiro na circulação de bens para gerar lucro se vende dinheiro para gerar lucro também. Vender dinheiro melhro dizendo comprar divida não é novo, desde a fundação da Casa di san georgio , no século XVI na Italia renascentista que foi a primeira casa bancária especializada em lucar apenas com capital financeiro, muito se evoluiu melhor dizendo, se aperfeiçoou e complexificou o ramo de venda de dividas. Naquela época da casa di san georgio, faltava para aqueles capitalistas incipientes a proteção fisica para segurar que as dividas sejam pagas o que levou a quebra dessa casa e de outras equivalentes na época. Seus caloteiros eram os governos.

Os mercadores de dinheiro de hoje, contam com a proteção dos Estados não como parceiros mas como comandantes da Economia, como resultado de politcas neoliberais.  O dinheiro não circula apenas em função da mercadoria mas também em função de bens imateriais, como seguros e fundos de pensão. Os Estados e empresas também vendem a si mesmos com titulos de dividas que comcerciam entre si. Assim quando ouvires falar de um banco que quebra, como foi o caso do Lehman Brothers em 2008, outros bancos também perdem pois não podem resgatar seus titulos de divida desses, além de é claro todos os que tinham dinheiro sob outras formas no banco.

O sentimento em relação ao dinheiro, mais prescisamente “the love of money”, não é apenas pelas vantagens materiais que o dinheiro proporciona mas também ao sentido de posse que é nutrido a medida que se tem mais dinheiro aponto da obsessão. Concentrando o poder em si o dinheiro acaba se tornando por vezes o objeto final de desejo. E para quem tem o sonho de ganhar na mega-sena fica a sugestão para pensar no dinheiro como algo mais do que apenas a solução dos problemas.

Referências

ARRIGHI, Giovanni. O longo Século XX.

KEYNES, Maynard. Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.

MARX, Karl. Manuscritos economicos-filosóficos.

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