Dia Internacional da Mulher, dia de comemorar?

08/03/2013 08:24

Cristiane Nunes

Hoje dia 08 de Março comemora-se o dia Internacional da Mulher. Como toda data comemorativa em uma economia capitalista esse dia se transformou em uma data festiva e comercial. Nesse dia as mulheres ganham presentes, são levadas para jantar e o real sentido da existência dessa data fica mais uma vez esquecido e deixado em segundo plano.

Começaremos então esse pequeno texto com um pouco da historia desse dia e finalizaremos apontando porque ele deve ser um dia de reflexão e de luta e não um dia de comemoração e consumo.

Foto de manifestação feminista

O dia 08 de Março foi adotado pela ONU como dia internacional da mulher em 1977, e esse dia foi escolhido para lembrar um fato ocorrido em 1917, quando as mulheres russas que trabalhavam na indústria têxtil, entraram em greve reivindicando melhores condições de trabalho e também protestaram contra a situação de miséria e opressão que o povo russo enfrentava naquele momento, opondo-se ao czar Nicolau II , sendo portanto o estopim para a Revolução Russa.               

Fato é que as mulheres sempre foram silenciadas na historia, e a partir do momento que começam a eclodir os movimentos de contestações e de libertação que iniciam juntamente com o advento do capitalismo, surge no sexo feminino uma necessidade de expressão. Conforme encontramos em Colling.

 A história é feita por homens e mulheres que a inventam a cada instante, no cotidiano de suas vivências ou no palco político por eles montado. Muitas destas vivências ou atuações políticas perdem-se para sempre, acumulando-se aos silêncios, historicamente gratuitos, já que a historia oficial tem sido parcial, silenciando ou escondendo sujeitos. (1994 p.12)

Mas apesar da data de 08 de Março ser marcada por diversas manifestações organizadas por grupos feministas, sendo o mais conhecido o promovido pela Via Campesina que tem como lema “Mulheres Camponesas em Luta Contra o Agronegócio, pela Reforma Agrária e Soberania Alimentar”. Esse não deve ser o único dia para as mulheres se manifestarem, lutarem pelos seus direitos e mostrar para a sociedade que nem todas as opressões sofridas pelo gênero feminino acabaram.

Há quem diga que não existe mais machismo que isso é coisa do passado e que hoje as mulheres estão em todos os lugares. Certamente não se pode negar que muita coisa mudou desde o inicio do século XX que é marcado pelas primeiras manifestações femininas que lutavam pelo voto para as mulheres, pois acreditavam que votando a mulher poderia manifestar suas opiniões. Desde lá a mulher foi construindo seu papel na historia e buscando seu lugar na sociedade e o movimento feminista tem contribuído muito para que essas conquistas sejam possíveis.

As mulheres hoje podem trabalhar e até ocupar cargos de chefia, mas ainda desempenham a dupla ou até a tripla jornada de trabalho, pois trabalham fora, fazem o serviço doméstico e em muitos casos estudam, isso tudo e ainda possuem os menores salários. A mulher conquistou a liberdade sexual, já pode escolher com quem casar, mas ainda não pode decidir sobre seguir ou não com uma gravidez e tem que ouvir piadas e preconceitos sobre seu comportamento sexual.

Como podemos ver em diversas manifestações nas redes sociais, onde homens e mulheres rotulam, julgam e manifestam suas opiniões sobre o comportamento de mulheres baseados em imagens. Nesses momentos pode-se perceber que apesar de muitas conquistas, o preconceito e o machismo ainda continuam povoando o pensamento de homens e mulheres em pleno século XXI, vivemos em uma falsa moral, onde as pessoas devem conter-se em nome de uma boa reputação. Podemos perceber essas manifestações na foto abaixo que foi publicada em um site de relacionamento, e que teve diversos comentários machistas tanto de homens quanto de mulheres.

Manifestação machista feita em sites de relacionamento sobre o comportamento feminino.

Como forma de protesto contra a opressão sofrida pelo corpo feminino, surgiu em 2011 a Marcha das Vadias que protesta contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro pediram isso devido as suas vestimentas, ou seja, os homens ainda acreditam que se a mulher esta com decote ou roupa curta ele tem o direito de estuprá-la.

Podemos perceber ainda tem muita coisa a ser conquistada, portanto acredito que mais do que um dia para sair para jantar e receber presentes esse dia deve ser um dia de lembrar quanta luta já foi feita, que sim muita coisa mudou, mas que antes de comemorar devamos refletir se realmente não há mais nada a ser feito. Mulher não se cale!

Referencias

COLLING, Ana Maria. Choram Marias e Clarices: uma questão de gênero no regime militar brasileiro. Porto Alegre 1994. 168 p. Dissertação (Mestrado em Historia) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre.

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