“Com a verdade, nem ofendo e nem temo.”

08/03/2013 21:20

Dhiego Recoba

Quem eram os opositores de Hugo Chavez?  Costumamos reconhecer um homem através dos inimigos que ele atrai em vida. Tais inimizades, por sua vez, nascem quando duas ideias são antagônicas em excesso, sem qualquer possibilidade de conciliação. Há um jornalista brasileiro conhecido, “premiado” com inúmeras ações judiciais, que diz: diga-me quem te processa e dir-te-ei quem és. 
 
Tratando-se de Chavez, só é possível atravessar o mar de mentiras sobre a sua pessoa e governo, produzidas em escala industrial pelos meios de comunicação do império, quando identificamos que posição esses porta-vozes ocupam na pirâmide social. 
Não precisamos ir muito longe para respondermos essas questões. Precisamente, até o Youtube. Em seu discurso na conferência para o clima (COP-15) ocorrida na Dinamarca, em 2009, Chavez rompeu com o cinismo dominante que preenche toda e qualquer retórica neoliberal acerca de desenvolvimento sustentável.
 
Percorrendo de Simon Bolívar até Leonardo Boff, o então presidente deixou bem claro: não há desenvolvimento sustentável dentro do modo de produção capitalista, pois é incompatível que um sistema que busca o progresso material infinito não encontre sua exaustão em um planeta cujos recursos naturais são... Finitos. Simples assim. Ou alguém dirá que o minério de ferro das reservas de Carajás/PA, responsável por grande parte das exportações da matéria-prima para a indústria mundial de ponta não acabará, assim como o petróleo?
 
Seus inimigos são, sem dúvida, os que escondem esta verdade indubitável e dão continuidade à marcha de extinção da espécie humana, a fim de garantir os luxos e excentricidades de 5% da população mundial.
 
Desta forma, despido de hipocrisia, Chavez colocou o dedo na cara dos abutres, em seu próprio ninho. Foi escutado e compreendido por pouca gente. O motivo? Uma rápida busca por “Hugo Chavez”, no YouTube, revela um infindável número de vídeos que nunca chegaram ao conhecimento das massas. Aqui, no Brasil, Chavez é um déspota retrógrado e “populista”, ainda que nenhum jornalista consiga explicar o que é populismo sem cair nos clichés pejorativos agregados ao conceito.
 
É nesta perspectiva do pensamento único que “os cachorros do império” trabalham, a fim de mandar para o lixo o legado chavista. Não por acaso, o tema mais abordado pela mídia de direita desde o dia 05 refere-se à ausência de um “herdeiro político” do líder. 
 
Aqueles que argumentam não existir este sujeito, (motivado por um suposto espírito autocrático do ex-presidente), a fim de ludibriar a opinião pública internacional de que não há revolução bolivariana sem Chavez, são tolos que pretendem terceirizar o seu vazio intelectual ao restante do mundo, que acompanha a despedida de um grande homem coletivo.
 
Nicolas Maduro é um desses animais políticos que apenas os homens lúcidos em meio à loucura identificam na multidão. Em seu discurso na tarde de sexta, durante a cerimônia oficial em memória ao comandante, o presidente venezuelano em exercício demonstrou o nível de profundidade com o qual a revolução iniciada em 1999 atingiu o inconsciente de seu povo. Com discurso muito semelhante ao de Chavez, Maduro indica ter todas as condições de enfrentar (e vencer) Henrique Capriles, a menina dos olhos da turma do retrocesso, que não vê a hora de acabar com os conselhos comunais, uma conquista histórica dos que lutam por igualdade neste mundo.
 
Hoje o povo venezuelano conhece muito bem seu real inimigo. Não são pessoas ou nações, especificamente, mas sim aqueles que, de alguma forma, alinharam-se ao saque imperialista na América Latina e no restante do globo.
 
Os sul-americanos possuem uma dívida imensa com Hugo Chavez. Devemos pagá-la, defendendo seu legado, sobretudo no que tange a integração do continente, tornando-nos cada vez mais solidários para com aqueles que foram atropelados pelo mesmo trem da história.
 
Gracias, Hugo.

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