Bahia: o que se fala, o que se vê e o que se sente!

08/02/2013 08:19

Rodrigo Santiago da S. Garcia

O estado baiano é famoso por seu litoral e por sua forte história ligada ao desenvolvimento cultural e econômico nos primeiros tempos de colonização no Brasil. Ainda que, vinte dias seja pouco tempo, tempo este que visitei as cidades de Salvador, Ilhéus, Itabuna, Itararé, Porto Seguro, Salvador e Vitória da Conquista; pude construir e desconstruir falas sobre estas cidades, apartir do que vi e do que senti.

Existe um discurso sobre a população baiana, bem como: um povo que não quer “nada com nada”, um povo devagar e que não sabe aproveitar os encantos naturais marcados pela rica geografia litorânea, um povo que tem uma cidade suja, um povo “feio”, enfim inúmeros diálogos que ouvi ao longo de relatos de pessoas que foram a Bahia (nem todas as pessoas), principalmente em sua capital, Salvador. Porém, o que eu vi foram cidades com características diferentes e em comum, uma população marcada por sua história de exploração e luta.

Além das belas paisagens existentes na região geográfica baiana, existe um ponto tocante, quando passado o êxtase turista, ou seja, o momento de tirar fotos de tudo, do contágio ofuscante aos olhos reais de um lugar com tantos paradoxos. A desigualdade social é o ponto culminante de que se vê. Belas casas e prédios marcam fortemente as orlas de Ilhéus e Salvador, impregnadas de atividades comerciais referentes a bares e restaurantes. Não é preciso pegar um carro, um ônibus, enfim qualquer meio de transporte para constatar a desigualdade a qual me refiro. Basta, muitas vezes, atravessar a rua e ver diversas casas diferentes do que as belas mansões, ou prédios de luxo fixados perto da praia, sem falar dos hotéis. São casas periféricas que denunciam a diferença de poder econômico e social nestas cidades. A orla é freqüentada pela maioria dos turistas; ao falar das cabanas que é um bar em frente à praia, aí que a população periférica aparece (a maioria) trabalhando para os donos desses bares. Conversando com um e com outro, descobre-se que a oportunidade de trabalho está associada a alta temporada, em que, o comércio vive em função dos turistas.

A oportunidade de emprego é pouco nestes lugares, “lá na Bahia se trabalha Dezembro, Janeiro e Fevereiro para tirar férias o ano todo”. Isto é discursado diversas vezes, mas minha inocência não deixava enxergar e não desconstruir o que acontece naqueles lugares. Confesso que destes lugares que citei, Salvador (litoral) e Vitória da Conquista (interior) parecem serem lugares onde existem maiores oportunidades de emprego e uma condição melhor na área social, porém não estão isentas das desigualdades. Estes discursos que de certa forma difama a população nativa da Bahia é carregada de um crível senso comum. A Bahia “respira História”. O que se sente nestas cidades é um misto de emoções. Ao mesmo tempo em que se vêem turistas como eu, admirado com os patrimônios histórico (materiais e imateriais) vêm uma forte reflexão sobre quem mora ali, a história que passa e o lugar onde piso. Esta “ficha caiu” quando estivo no Pelourinho, um lugar de encantos e com uma história de arrepiar, o mesmo aconteceu em Porto Seguro, onde foi rezada a primeira missa no Brasil.

Os sentimentos são fortes e entendíveis sobre a situação dos nativos destas regiões, mas o que marca é a visão de muitos em olhar para frente, não esquecendo o passado e ainda construir um futuro melhor. Haverá pessoas que ao ler este artigo, poderá criticar certas ponderações que fiz, porém, o objetivo é despertar o interesse histórico destes lugares para a compreensão do que se vê e o que se sente. Sentir significa associar o que se conhece com a impressão do que se vê, logo, a possibilidade de concluir o que se pensa evidência uma analise para construir o conhecimento. O olhar para tal tipo de analise não foge da comparação dos lugares que vivemos, no meu caso, comparar a Bahia com o Rio Grande do Sul, cairia na diferença histórica dos lugares.

Com certeza trago para o Rio Grande do Sul boas recordações da Bahia e também sentimentos que despertam o senso de identidade étnica ligado em todos os cantos do Brasil. Foi uma experiência inesquecível para aqueles lados nordestinos, a Bahia não é isolada do Brasil, os aspectos negativos existentes naquela região refletem o inicio da história brasileira, aliás, na Bahia foi o primeiro lugar de colonização no Brasil, o início de uma longa História brasileira começou lá.

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