Ainda vamos parar

10/07/2012 12:18

Daniel Baptista

As pessoas que vão para Porto alegre saindo das cidades Metropolitanas vizinhas, sabem muito bem, os transtornos que passam pelas manhãs e finais de tarde. Isso sem contar o calvário que sofrem os habitantes do outro lado do Guaíba. Eu conheço muito pouco o acesso das cidades de Viamão e Alvorada, mas acompanho nos tele jornais matutinos e a Avenida Protásio Alves nos dá nos nervos só de olhar. Pior situação é o do pessoal de Canoas, Esteio, Sapucaia, São Léo e NH além de ter como acesso apenas a BR116 tem a concorrência pelo espaço da rodovia, compartilhado com o resto do Brasil. Eu me desloco de Gravataí passando por Cachoeirinha, tendo acesso para Porto Alegre ou pela Assis Brasil ou pela Free Way. A Free Way leva a dois caminhos problemáticos: temos a construção da Arena do Grêmio mais adiante, e na Avenida dos Estados, temos um dos maiores equívocos da construção civil, um aeromóvel que leva do aeroporto para a estação de mesmo nome do Trensurb. Ou seja, do nada a lugar nenhum.

Lembro que a muitos anos atrás, a METROPLAN já havia alertado que se POA não investisse na ampliação do trem, a cidade iria parar, e estamos vivendo esta previsão que só piora dia a dia. O transporte coletivo é dominado por um cartel de empresários que além de cobrarem tarifas absurdas oferecem um serviço risível e extremamente baixo para atender a demanda de passageiros. E engana-se quem acredita que a solução seria lançar mais ônibus para sanar o problema, isso seria cometer um suicídio rodoviário. Não bastasse o serviço ruim oferecido pelas empresas, a população obviamente vai apelar para os veículos particulares e aqui começa mais um drama. O poder aquisitivo da população brasileira aumentou muito nos últimos 10 anos, portanto o acesso a bens antes restringidos apenas a poucos, agora está mais viável e volta e meia, o governo oferece políticas que favorece o consumo – o último deles é o IPI dos veículos – política essa que eu considero um tanto burra, pois aumenta o comprimento de veículos enfileirados e não alarga avenidas.

Enquanto imperar essa lógica que menospreza o transporte público, ainda teremos que conviver com o aumento da lentidão do trânsito que o transforma em um espaço mais parecido com o de uma arena para gladiadores, sendo os motoristas gladiadores do século XXI em veículos, não em bigas. Eu mesmo o faço. Pois vamos calcular: eu possuo uma moto 125 CC muito econômica, as tarifas de Gravataí são as mais caras da região metropolitana. Se eu fosse de ônibus para o serviço, gastaria R$ 4,70, para freqüentar as aulas a noite gastaria mais R$2,70 dentro de POA, para ir para casa, não existe uma linha regular da minha cidade que passe na frente da FAPA então pegaria um ônibus universitário que custa apenas R$6,65, isto dá R$ 14,05 cinco vezes por semana! Com R$14,05 eu coloco em média 5 litros de gasolina e ando três dias. Visando sempre a redução de custo, quem não largaria o transporte publico de mão?

Um dos grandes epicentros da discussão ainda é a infra-estrutura oferecida pelo governo, sabemos que grandes obras além de causar transtorno (a avenida Flores da Cunha em cachoeirinha, recapeada em 2010 e 2011, e atualmente a Protásio Alves em POA) se demonstram ineficazes no final das contas, é como se os administradores públicos rasgassem dinheiro. O povo vê as obras, e isso cria no imaginário coletivo de que algo está sendo feito (principalmente em época de eleições municipais), mas não se questiona a validade dessas obras e a quem elas atendem. Vemos um grande investimento em obras multimilionárias que atendem e beneficiam poucos (as já citadas, por exemplo) e presenciamos trapalhadas circenses nas públicas (a rodovia do parque ou BR 448)que serão paliativos a médio prazo, pois futuramente enfrentará os mesmos transtornos que hoje temos nas grandes artérias rodoviárias da região metropolitana.

Essas obras além de gerarem grandes transtornos, deslocam um grande número de famílias.A rodovia do parque já deslocou boa parte das pessoas da vila Dique de Canoas (mais de 700 famílias)assentadas em casas populares, financiadas pelo programa Minha Casa, MinhaVida nos bairros Estância Velha e Mato Grande, ou seja para mais longe do centro da região metropolitana, o que demandará mais transporte público, que pelo nosso poder aquisitivo crescente, nos permitirá comprar um veículo, já que a configuração econômica da região, faz com que a massa trabalhadora, ou grande parte dela, exerçam as suas atividades em POA. Sendo assim, vemos obras necessárias como a ampliação do metrô deixada nas gavetas dos gabinetes do serviço público, enquanto isso, lutamos e nos acotovelamos no trânsito louco dessa simpática Cidade  que fica na beira do Guaíba.

Enquanto uns vibram com isso... (Visão aérea da obra da Arena do Grêmio.)

... temos que aturar isso em ritmo acelerado ou freado?. (Trecho de Canoas da BR-116)

Leia mais:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20523

http://www.br448rodoviadoparque.com.br/2011/index.php?option=com_content&view=article&id=118:visita&catid=34:noticias&Itemid=53

http://www.canoas.rs.gov.br/site/noticia/visualizar/id/5364

http://www.portal2014.org.br/noticias/7576/COPA+2014+AEROMOVEL+DE+PORTO+ALEGRE+COMECA+A+SAIR+DO+PAPEL.html

 

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