A Zero Hora e a RBS estão pedindo mais sangue e mais mortes

30/10/2013 15:14

Rodrigo Hermano

Zero Hora sempre se posicionou politicamente contra o povo, mas dessa vez foi longe demais. O editorial de 29 de outubro (que pode ser lido na íntegra no seguinte link: http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2013/10/29/editorial-vies-fascista/?topo=13%2C1%2C1%2C%2C%2C13) ostenta o seguinte título: “Viés Fascista”. Este nome é bem pertinente ao seu conteúdo. A leitura deste texto mostra o grau de envolvimento dessa empresa nessa máfia capitalista contra a qual estamos lutando. Zero Hora pede o sangue dos manifestantes e quer que aconteça uma carnificina nas ruas. Vamos analisar alguns trechos:

“O grupo de jovens mascarados que agrediu covardemente o coronel Reynaldo Simões Rossi, da Polícia Militar de São Paulo, estabeleceu na última sexta-feira um novo olhar sobre as manifestações populares que vêm se registrando no país desde junho, SOB TOLERÂNCIA DOS GOVERNANTES E DE PARTE DA SOCIEDADE.”

Já começam em tom de crítica dizendo que as manifestações estão sendo “toleradas” pelo governo e parte da sociedade. As manifestações não deveriam ser toleradas? O que o governo e “parte da sociedade” poderiam fazer? Colocar o exército nas ruas? Já fizeram. Matar manifestantes? Já fizeram. Reprimir as manifestações? Já fizeram. Criminalizar os que lutam? Já fizeram. Forjar acusações? Já fizeram. Chutar a porta da sua casa? Já fizeram.

Impressiona-me que somente um ano de manifestações lhes incomode. E o nosso incômodo em aguentar suas mentiras e manipulações de opinião pública desde 1964 (que foi o ano do Golpe Militar e, coincidentemente, o ano de fundação da Zero Hora)? E o nosso incômodo de ver a RBS colocando o povo contra nossa luta, que é justa e necessária, e apoiando os empresários de ônibus? E o nosso incômodo em ter de aturar os repórteres da RBS no meio das nossas manifestações querendo sempre chamar a atenção para fatos negativos ao invés de exaltar o fato de termos baixado o valor da tarifa, o que beneficiou a cidade inteira?
Em junho o povo mostrou que sabe identificar quais são os obstáculos para construirmos uma sociedade mais justa, quando tentou, por três vezes, chegar às portas da Zero Hora para rechaçá-los por suas mentiras. Eis outro trecho sanguinolento:

“A partir do episódio da semana passada, representantes das corporações policiais já começam a admitir a adoção de estratégias “mais enérgicas” para reprimir os agressores.”

Estratégias mais enérgicas seriam, por exemplo, usar munição letal contra os manifestantes? Porque todo o resto, como vimos, já foi feito. Estaria Zero Hora defendendo o uso de armas letais contra as manifestações? A resposta aparece neste trecho:

“A partir de então, os governos estaduais, especialmente aqueles comandados por políticos mais identificados com as causas populares, passaram a orientar as forças de segurança para agir com cautela, dando mais ênfase à proteção à vida do que ao patrimônio público ou privado. Parecia uma estratégia sensata. Porém, as manifestações foram se tornando mais violentas e a impunidade acabou estimulando os grupos agressores.”

Neste trecho Zero Hora chama a suposta “proteção à vida” em detrimento do patrimônio privado de “impunidade”. E diz que “parecia uma estratégia sensata”. Se “parecia”, não era. Sensato, para a Zero Hora, seria proteger o patrimônio privado e acabar com a vida dos manifestantes.
Estão chamando os ativistas Black Bloc de assassinos por espancarem um único policial depois de meses de espancamento e perseguição policial contra o movimento. E a cara de pau é tanta que publicam este texto dois dias depois do assassinato daquele garoto por policiais na periferia de São Paulo. Pedem mais sangue no mesmo dia em que policiais mataram mais um moleque em São Paulo.
Não faltam pérolas neste texto. Enumeram verdades, como abaixo:

“(...) a verdade é insofismável: as multidões de manifestantes acabam dando cobertura aos criminosos, que se sentem cada vez mais encorajados a desafiar a ordem e a racionalidade.”

Demonstram também profundo conhecimento sobre os problemas da sociedade:

“Os brasileiros já sofrem demais com a criminalidade urbana, causada por traficantes, ladrões de carro, arrombadores e homicidas que transitam livremente pelas cidades, com ou sem tornozeleira eletrônica.”

Este editorial deixa bastante claro qual é o “viés fascista”. É o viés da polícia, da Zero Hora, dos empresários, da copa, do Lasier Martins, das remoções. O viés fascista da crítica à necessária e justa manifestação de um povo cansado do autoritarismo e de aproveitadores.

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