A suavidade de Sofia e a brutalidade do Tatu

05/10/2012 15:28

Davenir Viganon

É difícil mostrar ao olhar despreocupado, carregado de "senso comum" as sutilezas que a propaganda que iniciativa privada promove. São dois exemplos muito dispares que chegam ao mesmo propósito, que você passe no caixa.

O primeiro exemplo é a da suavidade de Sofia, o uso da arte, da emoção, um filmete, em cinco minutos pode-se ir as lágrimas pela história da cachorrinha Sofia e quando no ápice da emoção com direito a um óóóóóóóóóóóóóóó até que chega-se aonde interessa com os dizeres "Panvel sempre com você", age diretamente na mente do telespectador. Você não vai comprar um remédio por que viu uma cachorrinha bonitinha na propaganda, mas toda vez que passar na frente da farmácia vai lembrar da história da Sofia, vai lembrar do que sentiu mas depois vai esquecer e quando lembrar de uma farmácia já sabe qual a que vai procurar. Uma vez doente dificilmente você vai se lembrar da cachorrinha Sofia, mas não importa mais ela já cumpriu com toda a suavidade o seu papel por que você já passou no caixa.

O segundo exemplo é o da brutalidade, da ocupação física do espaço pela coca-cola, a poluição visual, a expectativa da copa, falem mal ou bem o tatu estava ali. Como brutal era sua presença, brutal foi também a sua defesa. O seu ápice foi em sangue, que perde em importância ao plástico. A mensagem é brutal também, não com palavras, mas com cassetetes que agem diretamente nos corpos dos manifestantes. Você não vai comprar coca-cola por que foi obrigado a ver o tatu-bola, mas vai lembrar da coca-cola toda vez que ouvir falar da copa, do Largo Glênio Peres, da calçada arrumada, da manifestação e da repressão, mas depois vai esquecer e quando procurar algo para beber já sabe o que vai pedir. Uma vez você vai estar com sede dificilmente você vai lembrar do tatu bola, mas não importa mais ele já cumpriu seu com toda a brutalidade seu papel por que lá está você novamente no caixa.

A propaganda com toda a suavidade e brutalidade serve sempre ao mesmo fim que é o capital privado, que busca se colocar o mais atrás das cortinas possível. E cada vez temos menos capacidade de tira-los por detrás da cortina seja ela escondida suavemente atrás da compaixão ou brutalmente atrás de um escudo.

Chore voce também coma propaganda da Sofia

http://www.youtube.com/watch?v=7vQwoywtjTk

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