A proclamação da república

15/11/2012 14:16

Daniel Baptista

A independência do Brasil foi à única que manteve uma monarquia no poder de um estado aqui no continente americano, as demais nações quando conquistaram as suas emancipações todas formaram republicas, esse fato que teve o seu ápice no dia 7 de setembro de 1822 foi um arranjo político das elites coloniais que estava ocorrendo meses antes, o povo ficou completamente de fora do processo, para falar a verdade muitos nem sabiam o que se passava ou tinham noção de o que é Brasil, Portugal, Algarves , etc. e foi a única maneira da família dos Bragança e Bourbon de manter alguma governança e influência já que em Portugal uma monarquia parlamentar estava em vigência (a mesma liderada por Cromwell na Inglaterra quase duzentos anos antes) anulava o poder dos monarcas. E aqui em terras tupiniquins foi uma forma também dos portugueses residentes aqui mantiverem os seus privilégios e alguma influencia política.

No período de o Brasil foi um Império (de 1822 a 1889) tivemos dois Pedros e uma regência entre os Pedros até o golpe da maioridade e nossos governantes esbarraram em um problema que tomou corpo a partir de 1850: a escravidão. Quando digo que o problema tomou corpo a partir de 1850 não é com a intenção de dizer que a escravidão passou a ser legal neste ano, afinal ela era uma prática legalizada há no mínimo 300 anos antes. É que em 1850 a tráfico negreiro ficou proibido no Atlântico, imposição inglesa principal apoiador de nossa independência.

Sem escravos para traficar como as nossas elites iam continuar a produzir ou expandir os seus negócios (entenda-se por café) para o exterior? Afinal os escravos são os pés e a s mãos dos senhores fazendeiros. A solução encontrada foi à imigração de trabalhadores europeus, mão de obra assalariada convivendo com a mão de obra escrava aqui em nosso território, esses trabalhadores mais qualificados em sua mão de obra, custavam muito menos que um escravo, cerca de dez vezes menos. Muito mais lógico pagar um salário para um trabalhador do que arcar com o risco de comprar, vestir, alimentar, abrigar e na maioria dos casos, pagar e muito um capitão do mato buscar um “negro fujão”, sem contar o risco dessa mercadoria (o escravo) morrer ou não render o suficiente.

Mas e a república? O que ela tem a ver com tudo isso? Bem o império entrou em uma crise que tivera o ápice em 1889 a partir da guerra do Paraguai em 1865, o nosso exercito teve contato com os outros exércitos republicanos, bem equipados e bem pagos e funcionando em uma república sem a pesada mão do império a controlá-los, e claro que o golpe da proclamação da república foi efetivado com outras forças da elite nacional, que curiosamente apoiaram a monarquia com o motivo de continuar no centro das decisões, passados mais de 60 anos após a proclamação da independência, agora o setor das elites agrárias e a crescente burguesia urbana do país eram os seus principais opositores e encontraram nas forças armadas um braço suficientemente forte para por fim na monarquia brasileira. Mas nós estávamos esquecendo a  questão do escravo... Bem podemos deduzir que o país estava passando por transformações marcantes em sua economia, estávamos em franco processo de expansão e consolidação do capitalismo no Brasil, ou melhor, mais um ciclo dele... e escravo não compra e aproximadamente metade da população brasileira era formada por escravos, portanto um extenso mercado consumidor a ser explorado e a monarquia representava justamente um Brasil agrário, escravista e sem sintonia com as mudanças que estavam ocorrendo na sociedade, que agora orbitava na lógica das classes médias urbanas e grandes proprietários do oeste paulista que movimentavam a economia do país com o seu produto cultivado para a exportação, o café.

Como dizia um professor de história com quem tive o prazer de ter aula, professor Paulo Almeida, que dizia “a história do Brasil é muito fácil de ser contada, é golpe atrás de golpe...” fica fácil verificar que através de alguns elementos o arranjo político que foi feito para promover a proclamação de nossa república, que mais uma vez deixou o povo de fora do processo e este quiçá estava a par dos conhecimentos e dos acontecimentos ocorridos no final do século XIX, e assim continuamos até hoje, tendo as nossas vidas políticas sempre sendo negociadas por elites ligadas ao mercado externo que ditam as regras e a direção de nosso País.

Leia mais em:

CASALECCHI, José Enio. A Proclamação da República: coleção tudo é história. São Paulo: Brasiliense,1982   

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