A pele de cordeiro dos lobos

04/02/2013 08:48

Marcos Belmonte

Quando dizemos que alguém é fingido e mal intencionado, colocamos a expressão lobo em pele de cordeiro. Desde que nos conhecemos por gente ouvimos essa expressão que designa “cuidado” por parte de alguém que não está vendo que será enganado, ou coisa pior. Trata-se de um alerta. Acho que é isso que fazemos nesse blog. Nós alertamos àqueles que não estão vendo determinado cenário. Pois, deixem-me dar minha contribuição, para uns óbvia, para outros não.

Sabemos que o status quod possui um aparelho ideológico que homologa todas suas ações para manter seus privilégios sobre a maioria do povo. Sabemos que o ego-financeirismo das classes dominantes tem como único intuito sua manutenção e perpetuação. Sabemos, também, que o estado tem capacidade de cooptação de lampers em toda parte do mundo. Tratemos, portanto, do maior status quod do planeta, o norte-americano.

Falemos, primeiramente, das ações tomadas, de fato, pelos EUA. Não sou daquelas pessoas que entendem que “uma imagem vale mais que mil palavras”, aliás, acho isso um erro tremendo, mas uma reportagem mostrou uma mulher norte-americana com sua indumentária do exército, segurando um potente fuzil, com uma mochila, que não parecia nada leve, e outros mantimentos. Creio que o peso de sua carga era mais pesado que a própria mulher. A dita norte-americana caminhava por um campo de batalha, o que antes era uma pequena cidade africana, sendo filmada por algum cinegrafista, amador ou não, mostrando ela olhando ao redor com ar preocupado, mas num avanço ininterrupto.  Posteriormente mostrara-se um outro grupo de mulheres, em outro campo de batalha, atirando com suas possantes armas contra “não sei o que”, pois o cinegrafista teve seu faro para a imagem falhado, intencionalmente ou não. Também foram mostradas mulheres do exército trabalhando em setores mais administrativos.

Vamos a pergunta mais lógica: Porque os Estado Unidos estão em missão bélica no continente africano? Mesmo tendo a África passado por um processo de descolonização no pós-segunda Guerra Mundial, ela nunca deixou de ser um alvo em potencial para as grandes nações capitalistas que, amparadas em histórias seculares de exploração, nunca deixaram de ver o continente como uma “terra-de-ninguém”, portanto, de quem puder controlá-la. O custoso e oneroso colonialismo dava lugar para a nova prática exploratória capitalista que precisava de novos consumidores. Mas os países colonialistas precisavam manter-se dentro do território, mas não com seus capitais e aparelho militar, mas de uma maneira mais respeitosa para com o território almejado, para tanto, utilizaram-se de uma velha tática nascida na Itália renascentista, as embaixadas, ou seja, tira-se a figura que subjulga, o exército, os capitais, e coloca-se a figura que respeita a soberania do outro, tendo-o como parceiro, um igual, nações amigas. Assim, os países da OTAN permanecem no continente, posteriormente à anos de  influência territoriais desde 1885 no congresso de Berlin, mas ainda com grande interferência política, cultural, econômica e etc, e, sempre armando os status quod locais contra a ameaça soviética na famosa guerra-fria.

Acontece que nas últimas décadas, a influência de outros blocos, como os BRICS e o IBAS, dentro do continente aumentara consideravelmente, e somado à queda dos regimes autoritários, pró norte-ameircanos e seus aliados, e a proliferação contundente de grupos islâmicos, alteram o panorama. Esses fatores tornam as negociações tendenciosas dos EUA e da OTAN com os países africanos, agora mais autônomos e/ou contrários às exigências dos ex-colonialistas, em preferência dos outros blocos. O resultado disso pode ser visto num dado muito importante, as embaixadas dos países da OTAN diminuíram seu número no continente, posto que os países do BRICS aumentaram as suas, com exceção da Rússia. Contudo, ao mesmo tempo, que as embaixadas dos nortistas são retiradas do continente, ou seja, o elemento de respeito a soberania e parceria, e apontam, novamente, seus capitais e exércitos para África, como podemos ver nas ações, ditas ambientais, que recebem fundos norte-americanos, visando preservar determinadas áreas da mãe África, claro, com seus exércitos, que se situam lá com o único intuito de proteger a natureza local, de seus habitantes predadores, afinal de contas, o ambientalismo é a bola da vez.

A ação de setores conservadores, pró norte-americanos e OTAN, e a ameaça de perder seus mercados e “suas” matérias-primas, fazem com que os exércitos invadam o continente buscando manter seus privilégios, mesmo sendo contra a vontade da maioria da população africana. Usam os colonialistas o artifício do qual são pais, a eterna guerra entre clãs, etnias e etc., dentro desses países traçados de maneira retilínea por mãos norte-americanas e europeias, com o intuito de trazer a paz para esses territórios, nada tem à ver com seus interesses, o que pode-se ver nas ações de países como a França no caso Mali.

Nesse momento, voltamos para a soldado americana, que se encontrava ali, unicamente para manter os privilégios de sua nação, em detrimento do interesse das centenas de nações africanas, sem o menor caso com as vidas dos nativos pobres. Se o homem é o lobo do homem, os norte-americanos e outros da OTAN, são os lobos dos africanos, não que todos sejam anjos desprotegidos, mas estão os colonizadores lutando e matando por seus interesses e manutenção dos privilégios. Agora volto para onde vi as imagens das soldados dos EUA e a pele de cordeiro que colocaram por sobre essas.

A notícia fora divulgada no programa jornal da globo, na noite do dia 23/01/13, que tem como âncoras Cristiane Pelágio e Willian Waack. Disseram eles que a mulher estava ganhando espaços que antes eram só ocupados por homens, como as posições mais adiantadas nos fronts de batalha. O teor era de uma conquista das mulheres que estavam assumindo uma situação de igualdade de gêneros, onde, após anos de tentativas, as mulheres estavam acabando com as barreiras e dando mais um passo para a igualdade. Ou seja, o lindo ideal do nivelamento de direitos e deveres dos gêneros, que deverá levar o mundo para um patamar mais justo e humano, é usado para tapar as intenções inescrupulosas da presença de exércitos impondo suas vontades para os países da África, matando civis, crianças, velhos, seres humanos, com a desculpa de levar a paz para esses locais, ameaçados por grupos radicais locais, e/ou proteger o meio ambiente africano dos africanos. Cabe agora ressaltar o evidente patriotismo norte-americano de Pelágio e Waack que trataram a notícia como algo de bom e maravilhoso. Pele de cordeiro num lobo, com os cumprimentos dos lampers globais.

Nossos avós já falavam; nossos pais falaram; nós falaremos para nossos filhos. Contudo, falamos para vocês que ainda não enxergaram, nessas janelas de 32, 40, 120... polegadas nas suas salas e quartos. Cuidado com a televisão que bovinamente coloca pele de cordeiro em lobos, principalmente a Globo.

—————

Voltar


2leep.com

Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Centenas de templates
  • Todo em português

Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também!